Doze coletivos de juízas de diferentes tribunais do país enviaram flores e uma carta à ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o desabafo feito por ela em sessão da corte. A entrega ocorreu nesta quarta-feira (16), um dia depois de a magistrada falar sobre a tristeza e a consternação diante da crise enfrentada pelo tribunal.
Foram encaminhados 12 buquês e um vaso de orquídea. A mensagem que acompanhou as flores expressava solidariedade e afirmava: “A senhora não está sozinha”. O gesto ocorreu após a sessão de terça-feira (15), que avaliava a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes.
Durante a sessão, Cármen Lúcia pediu desculpas à população brasileira e questionou o que poderia ter feito para contribuir para que o Supremo não chegasse ao atual momento de tensão. A manifestação sensibilizou as magistradas, que escreveram uma carta voltada à mulher por trás da toga, sem abordar processos, votos ou divergências jurídicas.
Responsabilidade e trajetória
As juízas afirmaram que existe diferença entre assumir responsabilidade e transformar esse sentimento em culpa individual. Na mensagem, pediram que a ministra não carregasse sozinha o peso de uma crise que envolve a instituição. “Não transforme em culpa pessoal a tristeza de quem ainda se importa profundamente”, escreveram.
A carta também menciona a trajetória de Cármen Lúcia e as dificuldades enfrentadas por mulheres em espaços historicamente ocupados por homens. As magistradas lembraram sua formação familiar, o trabalho, os estudos e a persistência que a levaram a posições de destaque.
Em outro trecho, disseram que, por algumas horas, a ministra poderia deixar de ser a responsável por encontrar a palavra certa ou apresentar uma solução. A mensagem resume esse pedido com a frase: “Pode simplesmente ser Cármen.”
As autoras também afirmaram reconhecer o peso de decidir, a cobrança por acertar e a necessidade de manter a serenidade. Para elas, o desabafo não representou uma confissão de culpa, mas uma demonstração de humanidade e de sensibilidade diante do momento vivido pelo Supremo.
Presença feminina na magistratura
O relatório Justiça em Números 2026, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), informa que as mulheres representam 39,4% da magistratura brasileira. Os homens correspondem a 60,3%.
Ao final, as juízas disseram que as flores simbolizavam a presença e o apoio de mulheres de diferentes cidades, tribunais e histórias. A carta foi encerrada com uma mensagem de carinho, respeito e gratidão à ministra.


