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Política

MP-SP apura possível conexão entre caso Master e privatizações em São Paulo

Promotoria deu 45 dias para Sabesp, Emae, TCE e governo Tarcísio enviarem informações antes de decidir sobre inquérito civil.

MP-SP investiga elo do escândalo do Master com privatização da Sabesp e Emae por Tarcísio de Freitas
Foto: Caiuá Maia Campanha Tarcísio/Divulgação

O Ministério Público de São Paulo abriu uma notícia de fato para analisar se houve conexão entre operações relacionadas ao Banco Master e os processos de privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). A apuração preliminar envolve atos conduzidos durante o governo de Tarcísio Gomes de Freitas entre abril e julho de 2024.

A promotora Cíntia Marangoni, da Promotoria do Patrimônio Público e Social, solicitou informações à Sabesp, à Emae, ao Tribunal de Contas do Estado e ao governo paulista. O prazo para resposta é de 45 dias. Depois de receber os dados ou do fim do prazo, a promotora decidirá se existem elementos para abrir um inquérito civil.

O procedimento foi instaurado a partir de representação do deputado Antônio Donato (PT-SP), líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A denúncia questiona possíveis atos de improbidade administrativa, lesão ao patrimônio público, conflito de interesses, favorecimento de particulares e problemas na competitividade dos processos de desestatização.

Operações citadas na representação

A Emae foi leiloada na Bovespa em 19 de abril de 2024. O Fundo Phoenix venceu a disputa pelas ações estaduais por aproximadamente R$ 1,04 bilhão, superando a proposta da EDF. Conforme a representação, o fundo havia sido constituído em 20/03/2024 e tinha como principal lastro ações da Ambipar.

Donato afirma que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, teria participado da estruturação e do financiamento de grupos interessados na privatização da Emae e da Sabesp. A representação também menciona Nelson Tanure, Carlos Piani, a AMBIPAR, a REAG e a Trustee DTVM.

O deputado relaciona ainda a operação a uma doação de R$ 2 milhões feita por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, para a campanha de Tarcísio ao governo estadual. Zettel também teria doado R$ 3 milhões para Jair Bolsonaro em 2022.

Segundo a representação, o pagamento pela aquisição do controle da Emae foi viabilizado pelo Banco Master, por meio da Trustee, de Nelson Tanure e de Tércio Borlenghi Junior, fundador e controlador da Ambipar, mediante emissão privada de debêntures da Phoenix S.A. O documento também cita a eleição de Karla Maciel Dolabella para a presidência da Emae após a privatização. Ela havia liderado a área de fusões e aquisições do Banco Master.

A Sabesp foi desestatizada em julho de 2024, quando o governo paulista abriu mão do controle da companhia. Depois, a empresa passou a ser controlada pela Equatorial. Carlos Piani, que havia presidido o Conselho de Administração da Ambipar, assumiu a presidência da Sabesp em outubro de 2024.

A representação afirma que, entre julho e setembro de 2025, Nelson Tanure teria retirado R$ 160 milhões do caixa da Emae para comprar CDBs do Banco Master. Em outubro de 2025, após a execução de uma dívida pela XP Investimentos, a instituição teria assumido o controle da Emae. Posteriormente, a Sabesp teria comprado a empresa da XP.

Donato pede que sejam investigadas possíveis práticas de crimes contra o mercado de capitais e o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, organização criminosa e atos de improbidade administrativa. O documento também menciona as Operações Carbono Oculto e Compliance, relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC e a fraudes financeiras e contábeis.

Manifestação da Sabesp

A Sabesp afirmou que a notícia de fato é um procedimento preliminar destinado à coleta de esclarecimentos e que fornecerá as informações solicitadas pelo Ministério Público. A companhia declarou que a desestatização foi autorizada pelo Legislativo estadual, passou por consultas e audiências públicas e foi estruturada por oferta pública registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com documentação perante a SEC, nos Estados Unidos.

A empresa também disse que as operações societárias posteriores, incluindo a aquisição da Emae, foram aprovadas sem restrições pelos órgãos competentes. A Sabesp negou fundamento para associá-la, ou a seus administradores, aos fatos investigados envolvendo o Banco Master e afirmou que apresentará os dados necessários ao esclarecimento do caso.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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