O ministro Kassio Nunes Marques afirmou, na abertura de uma sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a forma de se expressar não precisa ser alterada para que uma posição seja ouvida. A declaração ocorreu na manhã de quinta-feira, 17, em sua primeira manifestação pública depois de uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada por discussões entre ministros.
Nunes Marques presidiu a sessão do TSE na condição de presidente da Corte Eleitoral. A fala também ocorreu durante a despedida de Antônio Carlos Ferreira, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que participava de sua última sessão no tribunal eleitoral.
Ao mencionar a trajetória do colega, Nunes Marques fez referência à música popular brasileira e à bossa nova. O ministro afirmou que “elegância é avessa ao excesso” e, em seguida, declarou: “A delicadeza e a gentileza também têm força.”
O julgamento no Supremo
A manifestação ocorreu depois da sessão que analisou a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes, também ministro do STF. O encontro foi marcado por tensão, discussões e troca de ofensas entre integrantes da Corte.
O conflito havia começado antes do julgamento. Em mensagens enviadas a Nunes Marques e ao ministro Luiz Fux, Gilmar Mendes escreveu que eles deveriam deixar os processos. O decano também usou os termos “servis” e “submissos” para se referir aos dois ministros.
Antes do início da sessão, Nunes Marques declarou-se impedido de participar do julgamento, citando seu mandato no TSE e a possibilidade de repercussão eleitoral da decisão. A medida foi anunciada depois da divulgação de mensagens que indicavam contato entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro.
O caso discutido no STF envolvia uma questão de ordem sobre a reunião do processo com outro relacionado ao ministro André Mendonça. Não houve decisão definitiva: o julgamento foi adiado por até 90 dias após pedido de vista do ministro Flávio Dino. O placar preliminar ficou em 4x3 pela separação dos processos. Antes de se declarar impedido, Nunes Marques disse que nunca havia julgado processo ligado ao Master e negou que seu filho tivesse prestado serviço ou recebido remuneração do banco.


