SÃO PAULO — O orçamento de São Paulo para 2026 prevê R$ 1,37 bilhão para a área de segurança hídrica, destinada a administrar recursos hídricos, estimular o uso racional da água e reduzir impactos de enchentes e estiagens. O valor é o menor reservado para o setor durante o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A proposta foi elaborada pelo governador e aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A redução ocorre enquanto o estado registra chuvas e enchentes em diferentes cidades. No último final de semana, Tarcísio esteve no Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), acompanhando a intensidade das precipitações e a evolução dos alagamentos.
Queda em relação aos anos anteriores
O montante de 2026 representa uma redução de 33,8% ante os R$ 2,07 bilhões previstos para 2025. Em relação a 2024, quando a área recebeu R$ 1,82 bilhão, a queda é de 24,7%. Na comparação com 2023, cujo orçamento foi de R$ 1,48 bilhão, a diferença chega a 7,4% negativos.
Para Amauri Pollachi, coordenador do Observatório Nacional dos Direitos ao Saneamento (Ondas) e vice-presidente da Bacia Hidrográfica do Alto-Tietê, a redução pode transmitir a ideia de que o risco de enchentes foi superado. “Retirar recursos de enchente é desconsiderar a crise climática que nós estamos vivendo”, afirmou.
Pollachi também criticou a ausência de uma política para transformar cidades em áreas capazes de absorver o excesso de água. Na avaliação dele, o governo paulista deveria utilizar espaços livres de ocupação para essa finalidade.
O governo de São Paulo foi procurado, mas não respondeu até o fechamento do texto.


