SÃO PAULO — O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou o vício em apostas como um grave problema de saúde pública e afirmou que os transtornos relacionados às bets geram um custo social de R$ 38,8 bilhões por ano. A declaração ocorreu nesta sexta-feira (25), durante o anúncio de medidas do governo Lula para proibir apostas esportivas e cassinos online no Brasil.
Dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas apresentados no evento indicam que a mortalidade por suicídio é quinze vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo. O levantamento também apontou que apostadores que usam meios eletrônicos têm três vezes mais propensão a desenvolver dependência. Entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis, a probabilidade de desenvolver o transtorno também é três vezes maior.
Padilha associou a decisão do governo à proteção da saúde pública e afirmou que o afastamento das apostas ajudará a reduzir danos dentro das famílias. O pacote foi formalizado por meio de medida provisória, com efeito imediato para bloquear novas operações das plataformas de bets licenciadas.
Autoexclusão e procura por atendimento
Mais de 1,3 milhão de pessoas solicitaram a autoexclusão das bets. A ferramenta do Ministério da Fazenda impede o acesso dos cidadãos a todas as plataformas licenciadas pelo governo, com o objetivo de evitar danos financeiros e psicológicos.
Entre os que pediram o bloqueio, 51% disseram que a principal razão foram impactos diretos na saúde. Outros 35% relataram ter perdido o controle sobre as apostas. O aplicativo Meu SUS Digital registrou 170 mil pedidos de atendimento por problemas relacionados ao vício em bets. Mais de 60% dessas solicitações foram feitas por mulheres.
Segundo Padilha, embora as mulheres apresentem índices menores de ludopatia, elas também são afetadas quando outro integrante da família aposta. Entre os efeitos citados pelo ministro estão o impacto no orçamento doméstico, o aumento dos conflitos familiares e da violência doméstica, além de situações de ansiedade e depressão.
A medida provisória estabelece que os apostadores terão até 5 de outubro para retirar os saldos disponíveis nos sites. Os aplicativos deixarão de funcionar a partir da terça-feira (6/10). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também pretende encaminhar ao Congresso um projeto para ampliar as punições contra operações ilegais, com previsão de penas de até seis anos para quem explorar jogos de forma irregular.


