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PF aponta orientação de Eduardo sobre recursos destinados ao filme Dark Horse

Investigação relaciona mensagens, transferências de US$ 12,33 milhões e um fundo americano ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

PF aponta orientação de Eduardo sobre recursos destinados ao filme Dark Horse
Foto: reprodução/Reuters

A Polícia Federal afirma que uma mensagem atribuída ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro apresentava alternativas para administrar, nos Estados Unidos, recursos destinados a Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação também identificou transferências de US$ 12,33 milhões feitas em 2025 por uma empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro para um fundo registrado nos Estados Unidos.

A captura de tela da conversa foi enviada em 21 de março de 2025 pelo publicitário Thiago Miranda a Vorcaro, então controlador do Banco Master. Na avaliação da PF, Eduardo mencionou a possibilidade de ampliar o volume de dinheiro remetido pelo mecanismo que já vinha sendo usado e citou Altieres Santana, ligado à estrutura financeira que recebeu valores destinados à produção.

Na mensagem, Eduardo defende que o dinheiro estivesse nos Estados Unidos antes da operação e afirma que uma transferência realizada dentro daquele país seria mais simples. Ele também demonstra preocupação com a capacidade da empresa brasileira responsável pelas remessas de enviar de uma só vez o montante necessário.

“o ideal seria haver os recursos já nos EUA”, diz um trecho atribuído ao ex-deputado. Em seguida, a mensagem sugere o envio do maior valor possível pelo sistema então utilizado, com o mesmo remetente, e pergunta se essa alternativa poderia ser viabilizada. O texto ainda afirma que Altieres Santana estaria disponível para participar de reuniões presenciais.

Transferências e acordo de financiamento

A Entre Investimentos e Participações realizou transferências que totalizaram US$ 12,33 milhões ao Havengate Development Fund LP. Os repasses ocorreram em fevereiro, março, abril, maio e setembro de 2025.

Os valores se aproximam das parcelas previstas em um acordo de financiamento localizado no celular de Vorcaro. O documento foi encaminhado por Thiago Miranda em 18 de dezembro de 2024, quando o projeto ainda usava o nome Capitão do Povo.

O acordo estabelecia investimento de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na cotação considerada pela PF, dividido em 14 parcelas. As duas primeiras seriam de US$ 2 milhões; as demais, de aproximadamente US$ 1,67 milhão.

Para os investigadores, a correspondência entre os valores do acordo e as quantias posteriormente enviadas ao Havengate, somada às mensagens encontradas no aparelho de Vorcaro, indica que a Entre e o fundo americano podem ter sido usados para operacionalizar aportes relacionados ao filme.

As conversas analisadas pela PF mostram que a Entre já participava das tratativas antes dos repasses. Em 5 de fevereiro de 2025, diante de um problema para efetuar um pagamento ligado à produção, Vorcaro orientou que a operação fosse feita “via entre”, expressão interpretada como provável referência à Entre Investimentos.

Em 13 de fevereiro, a empresa enviou US$ 2 milhões ao Havengate. No dia seguinte, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, remeteu ao então banqueiro o comprovante da transferência e informou que o dinheiro tinha como destino o filme.

A PF afirma que o Havengate era administrado por uma empresa relacionada a Altieres Santana e ao advogado Paulo Sergio Camin Calixto, identificado na representação como advogado de Eduardo Bolsonaro.

Histórico do Havengate

O fundo havia sido criado em 2020 para captar recursos para um projeto imobiliário de US$ 21,1 milhões em Melissa, no Texas. A proposta ofereceria a investidores brasileiros a possibilidade de obter residência permanente nos Estados Unidos por meio do programa EB-5.

De acordo com as informações incorporadas à representação da PF, o empreendimento não foi executado. Não foram localizados registros de propriedade, autorização de construção ou obras nos cadastros oficiais consultados. A gestora cancelou os registros no Texas e na Flórida em maio e setembro de 2021, respectivamente.

Embora tenha permanecido juridicamente ativo, o Havengate teria ficado sem atividade pública registrada por quase quatro anos, até receber, em fevereiro de 2025, a primeira transferência associada ao financiamento do filme. Para a PF, o uso de uma estrutura criada para um projeto imobiliário como destino de recursos de uma produção cinematográfica exige esclarecimentos sobre a finalidade e o percurso do dinheiro.

A corporação reuniu o acordo de US$ 24 milhões, os repasses internacionais, as mensagens sobre o método de pagamento, o comprovante encaminhado ao Havengate e as tratativas que envolveram Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto e Altieres Santana. O conjunto, segundo a PF, justifica o aprofundamento das diligências para identificar a origem, o caminho, o destino e os beneficiários finais dos recursos.

A investigação considera preliminarmente a possibilidade de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A PF ressalva que os enquadramentos ainda dependem da continuidade das apurações.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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