O Supremo Tribunal Federal (STF) restringiu a entrada de jornalistas no plenário durante a sessão que analisará informações da Polícia Federal sobre mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento poderá definir se há elementos para abrir uma investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes ou se o material será arquivado.
A sessão está marcada para 10h e será transmitida pela Rádio e TV Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube. Os ministros também decidirão se as informações divulgadas pelo ministro André Mendonça podem ser utilizadas na apuração.
Regras para a cobertura
Os jornalistas que acompanham diariamente as atividades do tribunal poderão assistir à sessão a partir do comitê de imprensa. Os demais profissionais deverão permanecer na área externa, na marquise. Embora o STF tenha aberto um credenciamento específico para o julgamento, a entrada no plenário foi limitada a pessoas previamente autorizadas pelo Cerimonial.
O tribunal informou que a decisão não partiu apenas da Presidência, que recebeu “sugestões e recomendações dos ministros e da ministra”. O acesso será feito pelos locais indicados pela Polícia Judicial. Durante toda a sessão, os celulares deverão permanecer desligados e lacrados em sacolas de segurança. O rompimento do lacre poderá levar à retirada da pessoa do plenário.
A Esplanada dos Ministérios também será fechada na altura das bandeiras. Ex-ministros do STF poderão acompanhar o julgamento presencialmente. Até segunda-feira (14), nenhum havia solicitado acesso ou recebido convite prévio; caso compareçam, poderão entrar.
Críticas à restrição
Em nota, o ministro Flávio Dino afirmou que não foi consultado sobre a medida e que, se tivesse sido ouvido, defenderia a presença dos jornalistas no plenário.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) informou ter enviado um ofício à Presidência do STF para pedir a revisão da decisão. A entidade reconheceu que a transmissão pela TV Justiça, pela Rádio Justiça e pelo YouTube permite o acompanhamento público, mas afirmou que ela não substitui a presença física dos jornalistas, necessária para observar aspectos do julgamento que não são captados pelas câmeras oficiais.
A sessão ocorrerá nesta terça-feira (15), sob a relatoria do ministro Edson Fachin, e analisará o relatório da Polícia Federal relacionado às mensagens de Daniel Vorcaro.


