ESTADOS UNIDOS — O custo de vida, a guerra no Irã, a imigração e os efeitos da inteligência artificial estão entre os temas que podem definir o voto nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. A disputa ocorre a menos de um mês do pleito e também envolve a avaliação do governo de Donald Trump.
Preços e conflito no Irã
A inflação permanece como a principal preocupação dos eleitores. Democratas e republicanos abordam o custo de moradia, alimentos e energia em suas campanhas. Em 2024, Trump responsabilizou o então presidente Joe Biden pela alta dos preços, mas, quase dois anos depois de retornar à Casa Branca, não conseguiu conter o aumento. A política de tarifas contra outros países, incluindo aliados dos Estados Unidos, agravou o cenário.
Quase metade dos eleitores americanos considera que o custo de vida deve ser uma prioridade para os candidatos, conforme pesquisa da Ipsos/Reuters publicada no fim de agosto.
A guerra iniciada por Trump e Israel contra o Irã também enfrenta resistência da opinião pública. Nos primeiros dias do conflito, 40% dos americanos entrevistados declararam apoio, enquanto 49% se opunham, segundo uma média de pesquisas compilada por Nate Silver. Atualmente, o apoio caiu para 33%, diante de 57% de oposição. A elevação dos preços dos hidrocarbonetos, associada em parte ao bloqueio do Irã no Estreito de Ormuz, está entre os fatores relacionados à perda de apoio.
Em setembro, uma pesquisa do Emerson College colocou a guerra no topo da lista de questões decisivas para os eleitores.
Imigração e avaliação do governo
Trump fez campanha prometendo deportações em massa de imigrantes em situação irregular e conseguiu frear o fluxo migratório na fronteira com o México. A condução da política, porém, dividiu a opinião pública, especialmente por ações da polícia de imigração, conhecida pela sigla ICE, consideradas excessivas.
Em janeiro, dois americanos morreram baleados por agentes federais durante protestos contra a presença da ICE em Minneapolis. Uma pesquisa da Fox News publicada em setembro mostrou que 43% aprovavam a maneira como Trump lidava com a imigração, enquanto 56% desaprovavam. Outra pesquisa, do instituto Marist, indicou que os eleitores passaram a confiar mais nos democratas do que nos republicanos nesse assunto, em mudança em relação a 2024.
As eleições de meio de mandato tradicionalmente funcionam como uma avaliação do presidente. Trump, que tem 80 anos, pediu aos apoiadores que se comportassem como se seu nome estivesse nas cédulas de votação em 3 de novembro. Seus índices de aprovação estão no ponto mais baixo, enquanto crescem as demandas por mais contrapesos ao governo.
A ética governamental se tornou uma das principais preocupações dos eleitores, segundo o Pew Research Center. Os democratas prometeram abrir investigações contra Trump e pessoas próximas a ele caso conquistem a maioria no Congresso, sob acusações de uso da Casa Branca para enriquecimento próprio.
Inteligência artificial e temas culturais
Quase metade dos americanos ouvidos pelo Pew Research Center disse estar muito preocupada com o impacto da inteligência artificial na economia. A expansão dos centros de dados necessários ao desenvolvimento dessa tecnologia também gera preocupação por causa do alto consumo de energia e do possível aumento das contas de luz nas áreas próximas às instalações.
As guerras culturais perderam espaço em relação a campanhas anteriores, mas continuam relevantes. Os republicanos produziram propagandas contra a defesa, pelos democratas, da participação de pessoas trans em competições esportivas femininas. Já o direito ao aborto e o combate ao aquecimento global quase desapareceram do centro da disputa.


