O senador Carlos Viana (PL-MG) pediu a suspensão do recesso parlamentar e a convocação de uma sessão extraordinária na terça-feira (8) para que o Senado discuta os próximos passos diante da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também questionou a permanência de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência da Casa.
A cobrança ocorre após Alcolumbre sinalizar que não pretende dar andamento a nenhum dos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes acumulados na Presidência do Senado. Moraes foi citado em um relatório da Polícia Federal (PF) sobre conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
Em coletiva, Viana afirmou que conta com o apoio de outros senadores insatisfeitos com a postura de Alcolumbre. O parlamentar defendeu que o presidente do Senado seja afastado caso continue recusando a abertura de uma investigação ou não convide Moraes para prestar esclarecimentos.
“Se o presidente desta Casa, senador Davi Alcolumbre, continuar se recusando a abrir uma investigação ou no mínimo convocar o ministro Alexandre de Moraes para que possa dar declarações, é necessário que ele seja afastado do cargo”, afirmou Viana.
Limites para ouvir ministro do Supremo
O Senado não pode convocar um ministro do STF da mesma forma que convoca um ministro de Estado. A Casa pode enviar um convite, que pode ser recusado. Nenhum magistrado depôs ao Senado na história recente, conforme o texto constitucional mencionado no caso.
Viana também acusou Alcolumbre de evitar o processo por suposto envolvimento na crise do Master. Ele mencionou uma informação segundo a qual o presidente do Senado teria recebido US$ 30 milhões de Vorcaro, mantidos em contas no exterior. Alcolumbre negou a acusação e a classificou como absolutamente falsa.
O senador ainda defendeu o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Os dois foram citados nas conversas periciadas pela polícia, nas quais Vorcaro perguntava a Moraes se eles poderiam proteger o avanço das investigações que resultariam em sua prisão.
Viana disse confiar na condução do caso por Edson Fachin, presidente do STF. Fachin prometeu uma resposta firme e rigorosa diante das suspeitas contra Moraes e do conflito com André Mendonça, relator do caso.
Na quinta-feira (3), Alcolumbre criticou as pressões que vinha recebendo. Sem citar Viana, afirmou que dava importância ao discernimento de suas manifestações públicas e fez referência a senadores que usam vídeos para obter repercussão nas redes sociais e buscar vantagens eleitorais.


