A disputa pelo Governo do Pará em 2026 reúne seis candidatos a vice-governador com trajetórias profissionais, origens regionais e propostas diferentes. Dirceu Ten Caten integra a chapa de Hana Ghassan, do MDB; Ellayne D’Almeida é vice de Dr. Daniel Santos, do Podemos; Fátima Santana acompanha Araceli Lemos, do Psol; Karen Suellen forma chapa com Gal Leite, da UP; Márcia Carvalho concorre ao lado de Ruth Reis, do Democrata; e Seu Alex é candidato com Well Macêdo, do PSTU.
A escolha do vice não se limita à substituição do governador em caso de ausência ou impedimento. A cientista política paraense Karol Cavalcante, doutora em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que a composição pode considerar alianças partidárias, tempo de televisão, recursos eleitorais, origem regional, gênero e características capazes de complementar o perfil do candidato ao governo.
Na administração, o vice também pode representar o Estado em eventos e atividades oficiais. A dimensão dessa atuação depende, porém, da relação política e administrativa construída com o governador. Quando a parceria permanece durante o mandato, a exposição pública do vice pode contribuir para uma futura sucessão estadual. A especialista ressalta que o efeito eleitoral não é automático, porque o voto costuma se concentrar no candidato ao governo, embora a escolha possa fortalecer ou prejudicar a composição da chapa.
Os candidatos e suas propostas
Dirceu Ten Caten, do PT, tem 36 anos, é advogado e nasceu em Marabá, no sudeste do Pará. Casado e com ensino superior completo, ele concorre na coligação “O Pará Tá Junto”, formada por Republicanos, MDB, PSB, PSD, Avante, Federação PSDB/Cidadania, Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) e Federação União Progressista (União/PP). Ele afirma que pretende atuar próximo de Hana Ghassan, dos municípios e das comunidades. Entre as prioridades mencionadas estão educação, primeiro emprego, saúde, infraestrutura, segurança e políticas sociais. O candidato também cita a experiência de três mandatos como deputado estadual.
Ellayne Cristina Gurgel de Almeida, do PL, tem 40 anos, é engenheira e nasceu em Itaituba, no oeste do Pará. Solteira e com ensino superior completo, integra com Dr. Daniel Santos a coligação “O Pará é do Povo!”, composta por Podemos, PL, DC, Novo e Federação Renovação Solidária (PRD/Solidariedade). Sua proposta enfatiza presença no interior e atenção a problemas como transporte para atendimento médico, estradas, acesso à água, emprego e educação. Ellayne também defende políticas para proteção, autonomia e participação das mulheres paraenses.
Maria de Fátima Santana da Silva, do Psol, tem 63 anos, é professora de ensino superior e nasceu em Belém. Ela concorre com Araceli Lemos pela Federação Psol/Rede. Sua plataforma inclui direitos sociais e trabalhistas, serviços públicos, saúde, igualdade racial, inclusão e meio ambiente. Entre as propostas estão salário mínimo regional de R$ 2.200, jornada 5x2 para trabalhadores terceirizados do Estado, tarifa zero no transporte coletivo e revisão da privatização da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). Fátima também defende atendimento especializado às mulheres, redução da mortalidade materno-infantil e medidas de combate ao desmatamento e ao garimpo ilegal.
Karen Suellen Lobato de Sousa, da UP, nasceu em Macapá, no Amapá, tem 32 anos e é estudante, bolsista e estagiária. Com ensino médio completo, ela é casada e concorre em chapa sem coligação com Gal Leite. Suas propostas incluem a reestatização da Cosanpa, a ampliação do saneamento e da oferta de água, além da retomada da gestão pública de hospitais terceirizados. Karen também defende casas-abrigo, políticas de emprego para mulheres, fortalecimento da Universidade do Estado do Pará (Uepa), destinação de 5% do orçamento estadual à instituição, restaurantes universitários, eleições diretas para diretores de escolas e concursos públicos.
Márcia Carvalho disputa a vice-governadoria pelo Democrata na chapa de Ruth Reis. Até o fechamento das informações, seus dados não estavam disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral. Em sua apresentação, ela cita saneamento, saúde, educação, segurança, infraestrutura e geração de oportunidades. A candidata dá atenção especial às periferias e menciona alagamentos, esgoto a céu aberto, bueiros abertos e falta de serviços públicos essenciais. Também defende empreendedorismo, emprego, renda, educação profissional e valorização dos profissionais da segurança.
Seu Alex, do PSTU, tem 61 anos, nasceu em Belém e trabalha na construção civil, além de atuar como dirigente sindical. Com ensino fundamental incompleto, ele é preto, solteiro e tem identidade de gênero registrada como transgênero. Candidato em chapa sem coligação com Well Macêdo, afirma que pretende representar a classe trabalhadora e outros segmentos da população. Suas prioridades são empregos por meio de obras públicas, moradia, saneamento, infraestrutura, saúde e educação. Ele também associa sua candidatura à defesa de direitos da população trans e à ampliação da presença de trabalhadores trans na representação política.
Para Karol Cavalcante, a diversidade regional pode ter função eleitoral em um estado de grandes dimensões territoriais. Um vice com reconhecimento local pode aproximar o candidato ao governo de regiões nas quais ele tenha menor presença política. Ainda assim, a especialista afirma que esse potencial depende da capacidade de a chapa transformar a escolha em uma estratégia comum, e não apenas em uma composição formal.



