Casteladas usa frases breves para observar contradições da vida social, da política e do ambiente corporativo. O formato aposta no fragmento como unidade literária, em vez de desenvolver argumentos longos, e combina humor com comentários sobre comportamentos cotidianos.
A tecnologia aparece associada tanto à solidão quanto ao reconhecimento. O celular é apresentado como um recurso que interrompe o isolamento e também reduz a necessidade de reflexão. Já o reconhecimento facial surge como uma forma de atenção dirigida a quem se sente ignorado.
A coluna trata a mentira como um fenômeno que não depende mais da capacidade de convencer, mas da circulação por compartilhamentos. Também ironiza a linguagem empresarial, que substitui a demissão pelo verbo desligar.
As relações de poder aparecem em diferentes situações. A desobediência de uma pessoa pobre é classificada como crime, enquanto a dos Estados Unidos recebe o nome de geopolítica. O texto menciona Mal Gvir, afirma que o poder rebaixa a cabeça de quem o exerce e observa que alguns homens tentam submeter a própria História.
Outros aforismos abordam a gentrificação como valorização de bairros acompanhada da perda de espaço para seus moradores, a corrupção e os advogados, além da ideia de civilização como um conjunto de barbaridades com nomes respeitáveis. Flávio também é citado em uma frase sobre anotações que não tornam suas declarações convincentes.


