Mulheres eram 51,8% dos pequenos comerciantes que usavam plataformas de comércio eletrônico para encontrar clientes e vender produtos em 2025. Os homens representavam 48,2% desse grupo. Entre os comerciantes que não recorriam a essas ferramentas, a distribuição era quase equilibrada: 49,6% de mulheres e 50,4% de homens.
O levantamento do IBGE considera empregadores e trabalhadores por conta própria cuja principal atividade era o comércio, com exceção dos setores de veículos e motocicletas. Cerca de 5 milhões de brasileiros trabalhavam por conta própria ou eram empregadores no comércio, mas apenas 210 mil, o equivalente a 4,2%, usavam plataformas digitais para vender.
Os dados integram a terceira edição do estudo sobre trabalho por meio de plataformas digitais, divulgado nesta sexta-feira (4). A pesquisa foi realizada pelo IBGE em conjunto com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho.
Escolaridade e idade
Os comerciantes que utilizavam plataformas tinham escolaridade mais alta. Em 2025, 33,5% haviam concluído o ensino superior, contra 19% entre aqueles que não usavam plataformas. Outros 56,1% tinham ensino médio completo ou superior incompleto, enquanto a parcela era de 45,1% entre os demais.
A proporção de pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto era de 3,7% entre os comerciantes que vendiam por plataformas, ante 22,9% entre os que não utilizavam essas ferramentas.
Também havia diferença de idade. A faixa entre 25 e 39 anos reunia 49,7% dos comerciantes que usavam plataformas, contra 28,6% dos demais. Trabalhadores com 60 anos ou mais correspondiam a 4% do primeiro grupo e a 17,6% do segundo.
Renda, jornada e canais de venda
O rendimento médio mensal dos comerciantes que utilizavam plataformas era de R$ 4.932 em 2025, contra R$ 3.415 entre os que não usavam essas ferramentas. A diferença era de 44,4%. O IBGE relaciona o resultado principalmente à maior qualificação e à presença mais elevada de negócios formais entre os usuários de plataformas.
A jornada média também era maior: 41,5 horas semanais, ante 39,4 horas entre os demais, uma diferença de 2,1 horas por semana.
Para 31,3% dos comerciantes que utilizavam plataformas, elas eram o único canal de venda. Outros 68,7% também recorriam a meios tradicionais ou a outros canais. As plataformas eram o principal canal para 22,4%, enquanto 46,3% usavam mais os demais meios.
Na forma de recebimento dos pagamentos, 46,8% afirmaram que as regras eram totalmente definidas pela plataforma, e 17% relataram dependência parcial.



