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Pressão migratória leva brasileira a deixar os EUA após quase 11 anos no Havaí

Alice deixou o país em 2025 após agentes do ICE exigirem que ela se apresentasse com a filha, o companheiro e a bagagem pronta.

Pressão migratória leva brasileira a deixar os EUA após quase 11 anos no Havaí

A decisão de deixar os Estados Unidos veio depois que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) passaram a procurá-la no Havaí. Em junho de 2025, Alice recebeu uma ligação em que ouviu: “A gente está em frente à sua casa.” Uma semana depois, comprou a passagem de volta ao Brasil.

A brasileira havia vivido quase 11 anos no arquipélago. Sua trajetória começou pelo programa Ciência sem Fronteiras, passou por Michigan e terminou com a fixação no Havaí, para onde retornou como turista. No país, ela abriu uma empresa de faxina, financiou um carro e pagava impostos regularmente.

A filha de Alice, hoje com oito anos, nasceu nos Estados Unidos. No momento da abordagem, tinha sete anos. O companheiro também foi incluído na exigência dos agentes: a família deveria se apresentar em uma data marcada, com os pertences preparados.

O processo de regularização interrompido

A brasileira buscava consolidar sua permanência com um green card. Como não tinha o documento, recorreu à possibilidade de se casar com um amigo para obter a autorização definitiva. Uma denúncia, feita em 2022, levou os agentes do serviço de cidadania e imigração a cancelar o processo de regularização.

Alice não foi presa e não recebeu uma carta de deportação. Seu advogado avaliava que o risco de expulsão era baixo, considerando que ela estava havia mais de dez anos nos Estados Unidos, tinha uma filha e não possuía passagem criminal. Durante três anos, nada aconteceu.

O cenário mudou depois da volta de Donald Trump ao poder, em janeiro do ano passado. O advogado contratado por Alice por US$ 1.500 não encontrou processo aberto em nome dela quando os agentes voltaram a procurá-la. Ainda assim, afirmou que a legislação já não era aplicada como antes e relatou a existência de pessoas com 20 ou 30 anos de permanência no país que acabavam deportadas sem direito de defesa.

Com medo de buscar a filha na escola, Alice deixou imediatamente a casa onde morava. Amigos retiraram seus pertences em menos de uma semana. Ela se escondeu na residência de uma amiga naturalizada estadunidense, chegou a considerar dormir no carro e precisou resolver a documentação da filha, que não tinha visto para entrar no Brasil.

A adaptação depois da volta

A chegada ao Brasil não encerrou as dificuldades. A menina entendia português, mas não falava o idioma e passou por um período de choro e sofrimento. Alice afirma que entrou em depressão e que as duas continuam tomando remédios. O pai da criança também conseguiu se mudar para Fortaleza meses depois.

“Foi desumano tudo o que aconteceu”, afirmou Alice. Agora, ela tenta reorganizar a vida no país e acompanha o aprendizado de português da filha. “Estou tentando fazer uma limonada com os meus limões. Só agora estou conseguindo falar disso tudo”, disse.

A ampliação das operações do ICE

O caso ocorreu em um período de crescimento das prisões migratórias nos Estados Unidos. Em agosto, o ICE prendeu cerca de 51 mil pessoas, o maior registro de detenções em um único mês desde o endurecimento da política de deportação de Trump, segundo dados do Departamento de Segurança Interna (DHS).

Em junho, foram 43 mil detenções; em julho, 49 mil. O número de voos de remoção chegou a pelo menos 329 em julho. Menos de 4% das pessoas presas tinham condenação anterior por crime violento, de acordo com uma análise dos registros mencionada no levantamento. A situação migratória irregular passou a ser tratada pelo governo como o próprio alvo da política de repressão.

O secretário do DHS, Markwayne Mullin, afirmou que o ICE trabalha para deter e deportar imigrantes em situação irregular. A meta do governo é alcançar pelo menos duas mil prisões por dia. Para ampliar a capacidade de custódia, estão previstas 100 mil novas vagas em unidades prisionais.

O quadro também envolve a expansão da estrutura do órgão. O número de funcionários passou de 21 mil para 29 mil entre o início do segundo mandato de Trump e o último mês de julho, segundo o Escritório de Gestão de Pessoal. Além disso, o programa 287(g), que permite a agentes locais prender imigrantes, já responde por cerca de 14% das detenções.

A saída de Kristi Noem do DHS, em março, após críticas à truculência das operações, abriu espaço para a chegada de Markwayne Mullin. Outra medida foi a contratação, sem licitação, de luvas capazes de aplicar choques elétricos. O contrato com a empresa Compliant Technologies, do Kentucky, foi fechado em agosto por US$ 16,7 milhões. Cada par deve custar cerca de US$ 2,5 mil, com entrega prevista para março de 2027.

Imigração no debate político

Para Rafael Ioris, professor de História Latino-Americana na Universidade de Denver, a principal mudança está na escala das operações. A média de prisões, que não chegava a 10 mil por mês quando Trump assumiu, hoje é cinco vezes maior, segundo sua avaliação.

A política migratória combina fiscalização, participação de polícias estaduais e municipais e pressão por resultados. Ao mesmo tempo, a imigração continua associada à economia americana. Uma pesquisa do instituto Gallup apontou que 73% da população considera a imigração benéfica aos Estados Unidos.

Uma projeção da Universidade da Pensilvânia estimou que a deportação anual de 10% dos imigrantes sem documento até 2028 poderia elevar o déficit federal em US$ 350 bilhões e reduzir o Produto Interno Bruto em 1%.

As eleições de meio de mandato estão marcadas para o dia 3 de novembro. Para Ioris, a imigração perdeu espaço diante de temas como inflação e guerra no Irã, mas novas mortes ou episódios violentos podem recolocar as operações no centro do debate.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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