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Defesa de Cristina Kirchner apresenta dados para contestar condenação na Argentina

Advogados afirmam que empresas ligadas a Lázaro Báez receberam 0,85% dos recursos de um fundo usado em obras públicas.

Defesa de Cristina Kirchner apresenta dados para contestar condenação na Argentina

A defesa de Cristina Fernández de Kirchner anunciou nesta terça-feira (15) a apresentação de novas provas para contestar os fundamentos da condenação da ex-presidenta argentina. Os advogados sustentam que os dados enfraquecem a acusação de que um mecanismo de financiamento de obras públicas foi usado para beneficiar o empresário Lázaro Báez.

A condenação inclui a inabilitação perpétua para exercer cargos públicos por administração fraudulenta em prejuízo do Estado. Ela se tornou definitiva em junho de 2025, quando a Suprema Corte rejeitou o último recurso apresentado pela defesa.

O novo elemento apresentado pela defesa

O material foi obtido em outro processo, a Causa Cadernos, e não estava disponível durante o julgamento. A base da apresentação é o depoimento de Darío Andrés Levy, ex-funcionário do Departamento de Orçamentos da Direção Nacional de Viação, que entregou uma planilha com pagamentos feitos a empresas de construção de todo o país.

Segundo os advogados, empresas ligadas a Báez receberam apenas 0,85% dos recursos administrados pelo fideicomisso. O restante teria sido destinado a outras companhias que participaram de obras públicas, entre elas a Iecsa, pertencente a Angelo Calcaterra, primo do ex-presidente Mauricio Macri.

A defesa afirma que a informação não foi obtida antes porque a Justiça negou a realização de perícias contábeis integrais. A negativa teria ocorrido no Tribunal Oral Federal nº 2, nas instâncias de apelação e também na Suprema Corte.

O julgamento sustentou que, durante o governo de Cristina Kirchner, o Poder Executivo teria criado um circuito para direcionar licitações ao grupo Austral Construcciones, ligado a Báez. A decisão, segundo a defesa, não apresentou provas dessa atuação.

A legislação argentina estabelece que a administração direta do fideicomisso e as licitações sejam aprovadas pelo Congresso Nacional e executadas pela Direção Nacional de Viação, órgão autárquico não controlado pelo Poder Executivo. O mecanismo era financiado por um imposto sobre combustíveis, com recursos destinados ao pagamento de obras públicas.

Nova tentativa de revisão

A apresentação foi feita em coletiva por Carlos Alberto Beraldi, Rafael Valim e Javier Borrego. Valim, jurista brasileiro e ex-defensor de Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o novo elemento representa uma “reviravolta decisiva” e que demonstraria a inexistência de “fundamento fático” para a condenação. Ele também afirmou que a sentença tem componente político.

No fim de julho deste ano, a defesa levou o caso ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas. Os advogados alegam que a condenação configura lawfare e que a inabilitação perpétua produz efeitos de proscrição política.

O procedimento não é uma apelação penal. A defesa pretende que o órgão avalie se foram violados direitos previstos no Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, incluindo garantias judiciais, direito de defesa e direitos políticos. A expectativa é que o caso seja analisado nas sessões previstas para outubro, com as eleições gerais do próximo ano como pano de fundo.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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