BRASÍLIA — Saulo Dias Kalunga, participante de uma manifestação que espalhou faixas em diferentes pontos de Brasília com questionamentos sobre o Banco de Brasília (BRB), foi intimado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) a prestar esclarecimentos nesta sexta-feira (2). O documento foi emitido pela 38ª Delegacia de Polícia (38ª DP) e classifica Saulo como “envolvido” na ocorrência policial.
A intimação não informa qual fato está sob apuração nem menciona as faixas, o BRB ou a governadora Celina Leão (PP). A convocação ocorreu depois de o grupo instalar, na quarta-feira (30), uma faixa com a pergunta “Celina Leão, cadê o dinheiro do BRB?” em estruturas como viadutos e passarelas de Brasília.
Na quinta-feira (1º), agentes do DF Legal recolheram uma faixa de 12 metros que havia sido estendida na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto. Nesta sexta-feira (2), a manifestação voltou a ser interpelada por agentes do órgão e policiais militares. Outra faixa, colocada na saída sul do Distrito Federal, nas proximidades dos acessos ao Gama e a Santa Maria, também teria sido retirada. Segundo os manifestantes, o DF Legal alegou irregularidade na instalação em área pública.
Saulo afirma que a ação é pacífica e que busca cobrar explicações sobre a situação financeira do banco. Ele contesta a caracterização das mensagens como propaganda partidária. Embora seja filiado ao Partido dos Trabalhadores, a faixa não apresenta sigla ou número de candidatos à eleição.
O advogado especialista em direito eleitoral Miguel Novaes afirmou que a instalação de propaganda eleitoral em estruturas públicas é proibida, mas distinguiu essa prática de uma manifestação política. Para ele, a liberdade de expressão deve ser preservada, embora considere discutível a classificação da faixa.
Um segundo participante, que não quis ser identificado, relatou uma abordagem durante a instalação da mesma faixa em uma passarela do Varjão, região administrativa do Distrito Federal. Segundo ele, o grupo colocou o material por volta das 6h30 e se preparava para retirá-lo quando dois homens se aproximaram. Um deles teria mostrado uma arma, feito ameaças e tentado tomar a faixa. O relato não foi acompanhado, no texto, de informação sobre identificação ou prisão dos homens.
A PCDF informou que não antecipa informações sobre procedimentos ainda em apuração, especialmente antes das oitivas e de outros atos investigativos. A corporação afirmou que o sigilo busca preservar as diligências e os direitos das pessoas envolvidas e que eventuais esclarecimentos serão prestados no momento processual adequado.
O DF Legal disse que a faixa foi instalada sem licença prévia e que a fiscalização se baseou na Lei nº 1.771/1997, que, segundo o órgão, exige autorização para a instalação de objetos em áreas públicas. A instituição confirmou o apoio policial e afirmou que a retirada ocorreu em uma ação de rotina, sem outra motivação.
A mobilização ocorre durante a crise do BRB e a cobrança pela divulgação das demonstrações financeiras da instituição. O banco não publica esses documentos desde setembro de 2025. Em abril deste ano, a Assembleia Geral de Acionistas suspendeu a análise e a votação das demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025, em razão da ausência de publicação.
Em março, o BRB informou ao mercado que a divulgação das demonstrações financeiras de 2025 seria adiada para a conclusão da auditoria forense relacionada à Operação Compliance Zero e a avaliação dos impactos sobre as contas do banco. O tema também foi discutido no debate entre candidatos ao Governo do Distrito Federal promovido na terça-feira (29), quando Leandro Grass (PT) questionou Celina Leão sobre a situação da instituição e mencionou a transferência de R$ 120 milhões do Fundo de Saúde do DF para uma conta no BRB.


