A prefeitura de Nova York criou um escritório municipal dedicado a apoiar trabalhadores que buscam se organizar, em uma iniciativa que não terá poder para investigar empresas nem aplicar sanções. O Escritório de Empoderamento dos Trabalhadores também não substituirá sindicatos nem conduzirá negociações diretas com empregadores.
As atribuições de fiscalização continuarão sob responsabilidade do Departamento de Proteção ao Consumidor e ao Trabalhador, afirmou Julie Su, vice-prefeita de Justiça Econômica. O novo órgão deverá explicar os direitos previstos para quem tenta se organizar, apontar os setores com maiores barreiras e encaminhar trabalhadores a sindicatos, locais de trabalho e organizações comunitárias capazes de oferecer apoio.
A direção ficará com Tony Perlstein, sindicalista e organizador comunitário com mais de três décadas de experiência na defesa dos direitos trabalhistas. A estrutura pretende reunir trabalhadores, estudar as condições de trabalho na cidade e criar conexões com entidades que atuam em áreas como construção civil, hotelaria, assistência domiciliar, restaurantes, cafés e plataformas de entrega.
Atenção a imigrantes e pessoas sem documentos
Entre os grupos prioritários estão trabalhadores imigrantes e pessoas sem documentos que enfrentam abusos trabalhistas ou deixam de denunciar irregularidades por receio de consequências relacionadas à imigração. A prefeitura afirmou que o escritório buscará ajudar aqueles que se tornaram mais vulneráveis em consequência de ações do governo federal.
Ao anunciar a iniciativa, o vice-prefeito para Justiça Econômica disse que a proteção prevista nas leis trabalhistas da cidade não depende do status imigratório. “Nosso trabalho é apoiar, expandir e coordenar com essas organizações, não substituí-las”, afirmou Julie Su.
A criação do órgão ocorre em meio à preocupação da prefeitura com a distribuição de renda e a redução de empregos capazes de oferecer estabilidade econômica. Um relatório recente do Gabinete do Controlador da Cidade, citado pela área de Justiça Econômica, apontou que a renda real de 90% dos trabalhadores de Nova York estagnou ou caiu entre 2019 e 2024.
No mesmo período, os 0,1% mais ricos concentraram mais da metade de todo o crescimento da renda real da cidade. A administração também relacionou o cenário à substituição gradual de empregos estáveis de classe média por trabalhos precários, temporários ou de meio período, muitos sem plano de saúde, férias remuneradas e segurança na aposentadoria.
Para Julie Su, o enfraquecimento dos salários reduz o dinheiro em circulação, afeta pequenas empresas e diminui a demanda por negócios locais. Ela também defendeu a organização sindical como resposta à concentração dos ganhos econômicos em uma parcela restrita da população.


