A Polícia Federal investiga a circulação de recursos destinada à produção de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso envolve repasses feitos à Go Up Entertainment, empresa responsável pela obra, e suspeitas de uso irregular de verbas públicas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB).
A apuração ganhou novo capítulo com a operação “Make Up”, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e deflagrada na manhã desta quinta-feira (10). A produtora do filme, Karina Gama, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) estão entre os principais alvos. Agentes também cumpriram buscas em duas entidades ligadas a Karina: o ICB e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
O Coaf identificou movimentações consideradas atípicas nas contas da Go Up Entertainment entre novembro de 2025 e dezembro de 2025. Nesse intervalo, a empresa movimentou R$ 19 milhões, conforme o relatório entregue à PF. Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro e amigo do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), aparece como o terceiro maior remetente, com R$ 1 milhão transferido à produtora.
O relatório relaciona outros financiadores. A Moneycorp Banco de Câmbio S.A. enviou R$ 3.920.976,40; a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eireli, R$ 2.614.000; a NTT Brasil Ltda., R$ 750 mil; e Mario Frias, R$ 645.400. Lopes deixou a coordenação de comunicação da campanha de Flávio em maio deste ano.
As movimentações atribuídas a Lopes também são analisadas em outro inquérito. O nome e a foto dele aparecem em um documento que apresenta três integrantes da equipe de estrategistas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em um plano de ataques coordenados contra o Banco Central e servidores. O documento registra que Lopes teria recebido R$ 650 mil. Ele negou participação e afirmou que o valor correspondia a serviços prestados anteriormente.
Vorcaro transferiu R$ 60 milhões para a produção de Dark Horse após um pedido direto de Flávio Bolsonaro, que havia solicitado R$ 134 milhões. Esse repasse também é investigado pela PF.
A investigação apura possível direcionamento e desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares encaminhadas ao ICB para financiar o longa-metragem. Órgãos de controle apontam suspeitas de repasses irregulares e transações financeiras atípicas entre as empresas investigadas. A retirada do sigilo ocorre após cobranças de entidades e do Partido dos Trabalhadores (PT) por transparência nas apurações conduzidas no STF.


