O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos de praticarem terrorismo contra o país durante discurso nesta quarta-feira (23) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Foi a primeira fala do líder iraniano no organismo internacional desde o início das operações militares de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, no final de fevereiro.
Pezeshkian afirmou que Donald Trump o classificou como terrorista, mas sustentou que o Irã foi alvo de terrorismo. Também acusou as forças estadunidenses de bombardear uma escola, provocando a morte de crianças, e disse que os ataques atingiram universidades, centros de saúde, escolas, hospitais e estruturas de infraestrutura. Durante a fala, representantes dos Estados Unidos deixaram o plenário da ONU.
O presidente iraniano disse que seu país respondeu às ofensivas sem atacar populações civis. Afirmou ainda que os ataques estrangeiros contra territórios vizinhos e instalações iranianas violaram o direito internacional. Ao tratar do Estreito de Ormuz, declarou que o Irã não aceitará que a hidrovia seja usada para garantir acesso e interesses de alguns países enquanto serve, ao mesmo tempo, para impor agressões e restringir o acesso iraniano às próprias hidrovias.
Palestina e programa nuclear
A Palestina também ocupou parte do discurso. Para Pezeshkian, a situação representa uma ferida na consciência da comunidade internacional e evidencia a incapacidade dos mecanismos internacionais de impedir o sofrimento de civis. O presidente disse que não é possível falar em paz sem considerar a Palestina e defendeu justiça para os palestinos como condição para uma paz duradoura no Oriente Médio.
Pezeshkian reiterou que o Irã não pretende desenvolver armas nucleares, mas reivindicou o direito à tecnologia nuclear para fins pacíficos. “Não às armas nucleares e não às limitações à tecnologia nuclear para fins pacíficos”, afirmou.
Ele também disse que o país não procura segurança baseada na insegurança de outros Estados e que seus sistemas de defesa foram estruturados para impedir que ataques contra cidades iranianas sejam considerados sem resposta. Ao mencionar o discurso de Trump na ONU, no qual o presidente dos Estados Unidos ameaçou “aniquilar o Irã para o inferno”, Pezeshkian afirmou que as declarações contrariam a Carta da ONU. Segundo ele, a resistência iraniana crescerá diante das sanções, da pressão e da intimidação.


