EMBU DAS ARTES — A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte de Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, encontrada com um tiro na cabeça na casa onde vivia com o marido, o soldado da Polícia Militar Vinicius Costa Silva. O caso foi registrado como morte suspeita, e a família contesta a hipótese de suicídio apresentada pelo policial.
Larissa foi localizada no banheiro da suíte, no bairro Chácaras Bartira, por volta das 11h de domingo (6). Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada e confirmou a morte no local.
A arma encontrada junto à vítima pertencia a Vinicius. No banheiro, também foram localizados um coldre, um carregador, munições e um estojo de munição deflagrado. Segundo o depoimento do soldado, a arma era de propriedade particular e ficava em uma cômoda do quarto do casal.
Vinicius afirmou à polícia que chegou à residência por volta das 6h e conversou com Larissa sobre o fim do relacionamento. Depois da discussão, disse ter ido dormir. De acordo com o relato, ele acordou ao ouvir o disparo, encontrou a mulher ferida no banheiro e chamou o socorro. O policial permaneceu cerca de duas horas na delegacia e saiu sem falar com a imprensa.
A investigação considera tanto a possibilidade de suicídio quanto a eventual participação de outra pessoa. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Civil apura todas as circunstâncias e que os exames periciais devem contribuir para esclarecer o caso.
Família contesta hipótese de suicídio
A avó de Larissa, responsável por sua criação e chamada de mãe pela jovem, afirmou que ela tinha planos para o futuro e era muito ligada ao filho. “Ela tinha um projeto de vida. Ela não tinha nada de plano de se matar, não”, declarou.
Segundo a família, Larissa enviou uma mensagem à avó às 9h14, pouco antes de morrer: “Vinícius se separou de mim”. As duas conversaram novamente por telefone às 9h47. A avó disse ter se oferecido para ir à residência, mas Larissa respondeu que não seria necessário porque o marido e a cunhada estavam no imóvel.
Outro caso envolvendo PM
A apuração ocorre meses depois da morte a tiros da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, em São Paulo. O marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, afirmou inicialmente que Gisele havia cometido suicídio enquanto ele tomava banho.
A investigação da Polícia Civil e os laudos periciais contestaram essa versão. Documentos do caso indicaram que Gisele teria sido surpreendida por trás e imobilizada antes do disparo na cabeça. Também foram identificados indícios de manipulação da cena, como vestígios de sangue incompatíveis com a hipótese de suicídio e sinais de tentativa de ocultação de provas.


