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Economia

Entrada e custos dificultam compra do primeiro imóvel no Brasil

Preços, juros e falta de reserva financeira estão entre os principais obstáculos, enquanto programas habitacionais ajudam a reduzir o valor inicial.

Entrada e custos dificultam compra do primeiro imóvel no Brasil

O preço dos imóveis e a dificuldade de reunir o dinheiro da entrada têm afastado muitos brasileiros do sonho da casa própria. No Recife, o valor médio do metro quadrado chegou a R$ 8.912 em agosto de 2026, com alta de 6,74% em 12 meses, segundo o Índice FipeZAP. A capital pernambucana tem o terceiro metro quadrado mais caro entre as capitais do Nordeste.

A entrada é apenas uma parte das despesas. O comprador também precisa se preparar para pagar impostos, documentação, registro do imóvel e taxas ligadas ao financiamento. Esses custos acessórios podem representar entre 4% e 8% do valor venal do imóvel.

Financiamento e falta de reserva

A pesquisa “Retratos do morar”, realizada pela Ipsos-Ipec e encomendada pelo Grupo QuintoAndar, mostra que metade dos jovens de 18 a 28 anos pretende comprar um imóvel. O percentual supera a média nacional de 41%, fazendo da geração Z o grupo com maior intenção de adquirir a casa própria.

As dificuldades financeiras, porém, limitam esse desejo. Segundo o levantamento, 41% dos entrevistados não têm dinheiro para dar a entrada ou financiar a compra. Entre os jovens da geração Z, o índice chega a 47%. Outros 30% afirmam que os preços subiram demais, enquanto 21% apontam os juros altos como uma barreira.

A capacidade de poupar também é restrita. Do total de entrevistados, 37% dizem que gostariam muito de guardar dinheiro, mas reconhecem que as despesas atuais consomem toda ou quase toda a renda.

A estudante de Educação Física Sarah Gonçalves decidiu comprar uma casa para deixar a casa dos pais e iniciar uma nova etapa de vida. Ela encontrou o imóvel há cerca de duas semanas, quando o empreendimento ainda estava em fase de finalização. Por isso, precisou acompanhar custos da obra que variavam durante o processo.

Sarah afirma que não tinha renda alta para desembolsar uma quantia elevada de imediato e que direciona cerca de 80% da renda mensal para o imóvel. As parcelas do financiamento também sofreram alterações durante a conclusão da obra. Nesse processo, o programa estadual Morar Bem reduziu o valor que ela precisaria pagar para concretizar a compra. “O Morar Bem foi fundamental porque sem ele eu tenho certeza que não conseguiria fazer a compra do imóvel”, afirmou.

Subsídios para a entrada

Em Pernambuco, o programa Morar Bem PE – Entrada Garantida, criado pelo governo estadual, concede R$ 20 mil a famílias com renda de até dois salários mínimos que moram no estado e não têm imóvel próprio. O benefício pode ser combinado com o subsídio do Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, que pode chegar a R$ 55 mil.

Somados, os auxílios podem alcançar R$75 mil e, em alguns casos, cobrir integralmente a entrada exigida pela Caixa Econômica Federal. Para Paulo Lira, diretor-presidente da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), o programa foi criado para atender famílias sem reservas financeiras.

A Cehab informa que mais de 27,5 mil famílias já foram contempladas pelo Entrada Garantida. O Morar Bem PE, considerando suas demais frentes de atuação, já beneficiou mais de 50 mil famílias no estado.

Lira aponta como obstáculos a dificuldade de economizar enquanto se paga aluguel, a instabilidade ou informalidade da renda e o desconhecimento sobre os programas habitacionais disponíveis.

Cuidados antes da assinatura

O advogado imobiliário Sérgio Rodrigues recomenda verificar a situação jurídica e financeira do imóvel e dos proprietários anteriores antes da assinatura do contrato. A chamada due diligence imobiliária pode identificar dívidas, pendências, penhoras, hipotecas e outros problemas capazes de comprometer a negociação.

A conferência deve incluir a matrícula atualizada do imóvel, certidões ligadas ao IPTU e ao condomínio e os documentos dos vendedores. Também é necessário examinar as cláusulas contratuais, especialmente os índices de correção, juros, prazos de entrega e possíveis multas.

Em imóveis ainda em construção, o contrato pode estabelecer regras específicas para a correção do saldo e o prazo de conclusão da obra. Rodrigues também afirma que o consumidor deve receber informações claras e prévias sobre todas as cobranças. “A assessoria jurídica deve ocorrer antes do desembolso de qualquer valor ou assinatura de qualquer documento”, alertou.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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