PORTO ALEGRE — Os governos federal e estadual anunciaram investimentos de R$ 1 bilhão para construir um sistema de proteção contra enchentes em Eldorado do Sul, na região Metropolitana de Porto Alegre. O projeto prevê estruturas no entorno do município, além de equipamentos para bombeamento, armazenamento de água e drenagem.
A obra terá 8,6 quilômetros de estruturas de proteção, quatro casas de bombas, quatro reservatórios e um novo sistema de drenagem. Do valor estimado, R$ 300 milhões serão destinados pelo governo estadual e aproximadamente R$ 700 milhões pela União.
O projeto ainda está em preparação. O edital para contratar o projeto executivo e as obras não havia sido publicado quando os recursos foram anunciados. A previsão do governo estadual é iniciar os trabalhos em 2027 e concluí-los em um período de três a quatro anos.
Revisão após as enchentes de 2024
O sistema planejado para Eldorado do Sul foi reestruturado depois das enchentes de 2024. A revisão atualizou os parâmetros hidrológicos e levou em conta as características do solo da região.
Em agosto, Pedro Capeluppi, secretário da Reconstrução Gaúcha, afirmou que as mudanças eram necessárias diante das condições observadas durante a enchente de 2024. O pesquisador Maurício Paixão, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explicou que a presença de solos moles no entorno de Eldorado do Sul torna mais complexa a construção de estruturas altas. De acordo com ele, um projeto inadequado poderia apresentar problemas de estabilidade e afundamento.
Pressão por obras de prevenção
Na sexta-feira passada (11), durante uma agenda com o governador Eduardo Leite, em Canoas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou mais rapidez na liberação dos recursos destinados à prevenção de desastres climáticos. Lula questionou a demora para transformar os R$ 6,5 bilhões destinados ao estado em obras concretas e disse que a população precisa entender por que os valores anunciados ainda não foram integralmente convertidos em ações.
Eduardo Leite afirmou que a demora deve ser tratada como uma questão de responsabilidade, e não de culpa. Segundo o governador, projetos de grande escala precisaram ser reavaliados depois da magnitude das enchentes de 2024.
Além do projeto em Eldorado do Sul, há recursos federais destinados a obras de proteção em Porto Alegre, Canoas e São Leopoldo. Lula autorizou R$ 1,5 bilhão para ações na região Metropolitana.
A pressão por medidas preventivas aumentou após novos episódios de chuva forte. No final de agosto, a Defesa Civil alertou para o risco de alagamentos, inundações e cheias em várias áreas do Rio Grande do Sul. Os rios Caí e Taquari estavam entre os principais pontos de atenção, porque a elevação de seus níveis poderia afetar o Guaíba e aumentar o risco de inundações em áreas de Porto Alegre.
Para Masato Kobiyama, pesquisador do IPH da UFRGS, os órgãos responsáveis pelo monitoramento e pela Defesa Civil precisam atuar de forma integrada e atualizar regularmente os dados sobre as condições hidrológicas. Ele defende que a gestão de risco priorize a prevenção de mortes, inclusive com a retirada preventiva de moradores de áreas próximas aos rios ou situadas em regiões mais baixas quando houver risco elevado.
Desde as enchentes de 2024, a União destinou dezenas de bilhões de reais ao Rio Grande do Sul para reconstrução, habitação, crédito, recuperação de infraestrutura e auxílio às famílias atingidas. A nova etapa concentra parte dos investimentos na prevenção, com construção e recuperação de diques, casas de bombas, reservatórios e sistemas de drenagem.
A realização dessas medidas depende da conclusão dos projetos, das licitações e da execução das obras. Enquanto esse processo avança, o estado permanece sujeito a novos episódios de chuva intensa, o que mantém a prevenção entre as demandas centrais para reduzir os impactos de futuras enchentes.


