LUGANO — A governança foi apresentada como o mecanismo que transforma caráter, propósito e excelência em práticas dentro das empresas durante o Europe-Brazil Legal Summit, realizado em 2 e 3 de setembro de 2026, em Lugano, na Suíça. O tema foi tratado pelo bispo Bruno Brito na abertura do segundo dia do encontro, promovido pela ALPS Academy.
Brito afirmou que o crescimento empresarial sustentável depende da combinação entre resultados e princípios capazes de orientar decisões. Na avaliação dele, a integridade se torna especialmente relevante quando oportunidades de negócio entram em conflito com valores. Essa relação também teria impacto econômico: a confiança reduz riscos e, por isso, pode gerar valor para as organizações.
“Excelência sem caráter pode produzir resultados, mas também pode produzir escândalos. Caráter sem competência produz boas intenções, mas nem sempre bons e duradouros negócios.”
Ao abordar o propósito, o palestrante disse que o lucro é indispensável para a atividade empresarial, mas não deve ser o único parâmetro de sucesso. O crescimento, segundo ele, exige clareza sobre o que a organização quer construir e sobre os limites que não devem ser ultrapassados.
Na parte dedicada à governança, Brito associou processos, controles, auditorias, compliance e prestação de contas à proteção das empresas diante das pressões exercidas por poder, dinheiro e crescimento. A excelência foi comparada ao motor de um veículo de alta performance; o propósito, à direção; e o caráter, ao freio.
“Enquanto excelência, caráter e propósito são fundamentos, governança é o caráter transformado em estrutura.”
A programação também incluiu, no encerramento do primeiro dia, a palestra de Tiago Brunet sobre autoliderança, identidade e liderança pelo exemplo. O especialista em liderança e desenvolvimento de pessoas defendeu que a condução de equipes, organizações e projetos começa pela capacidade de cada profissional administrar a si próprio.
Essa autoliderança envolveria emoções, decisões, finanças, relações pessoais e reações diante de situações difíceis. Brunet também relacionou o excesso de informação e a velocidade das transformações à dificuldade de reconhecer e administrar as próprias emoções.
Ao falar sobre equipes, ele defendeu que os líderes continuem investindo nas pessoas mesmo quando nem todas correspondam às expectativas. Também diferenciou profissão e identidade pessoal, argumentando que o trabalho é importante, mas não define integralmente quem cada indivíduo é. Para Brunet, a busca por desempenho não deve levar ao abandono de elementos considerados essenciais da própria identidade.
Com o tema “Tecnologia, Mercado, Energia e Regulação: Desafios e Oportunidades”, o Summit reuniu profissionais do Direito e do mercado para discutir negócios transnacionais, energia, reforma tributária, inteligência artificial e os novos desafios da advocacia.



