NOVA DÉLI — Os países do Brics aprovaram por unanimidade, neste sábado (12), uma declaração que manifesta preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio e pede moderação para evitar o agravamento do conflito. O documento foi adotado no primeiro dia da cúpula anual dos líderes do grupo, em Nova Déli.
A aprovação ocorreu enquanto Estados Unidos e Irã retomaram ataques retaliatórios depois de uma pausa que predominou durante grande parte de agosto. Na chamada Declaração de Nova Déli, os países defenderam uma atuação multilateral que leve em conta as posições nacionais e reafirmaram o compromisso com a solução pacífica de disputas internacionais.
“Expressamos profunda preocupação com a escalada contínua das tensões no Oriente Médio”, afirma o documento, que também pede máxima contenção e rejeita medidas capazes de ampliar a instabilidade. O texto sustenta que conflitos devem ser tratados por meio do diálogo, da consulta e da diplomacia.
Comércio e composição do bloco
A declaração também registra preocupação com o crescimento de medidas tarifárias e não tarifárias adotadas unilateralmente, sob a avaliação de que elas distorcem o comércio. O tema aparece em um contexto de sanções dos Estados Unidos contra o Irã, em meio à guerra entre os dois países, e contra a Rússia, por causa do conflito com a Ucrânia.
Xi afirmou que a China trabalhará com os demais integrantes do Brics porque a guerra não atende aos interesses comuns da comunidade internacional.
Criado em 2009, o grupo reunia originalmente Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Depois, passou a incluir Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos. Os integrantes representam mais de 40% da população mundial e quase um quarto da economia global. O bloco foi formado com o objetivo de desafiar uma ordem mundial dominada pelos Estados Unidos e por seus aliados ocidentais.


