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Disputa sobre freio na IA expõe conflito entre EUA, China e Europa

Pedido de desaceleração da Anthropic amplia o embate sobre regras, autonomia tecnológica e concentração de poder na inteligência artificial.

Disputa sobre freio na IA expõe conflito entre EUA, China e Europa

A ausência de regras internacionais para a inteligência artificial ampliou o confronto entre Estados Unidos, China, Europa e os principais laboratórios americanos. O debate ganhou força depois que Dario Amodei, CEO da Anthropic, voltou a defender uma pausa global no desenvolvimento dos modelos mais avançados da tecnologia.

A proposta da empresa é apoiada publicamente desde junho e ganhou impulso no sábado (12), após o engenheiro Jacob Coxon, 27, ex-funcionário da Anthropic e da OpenAI, afirmar que as companhias estão apostando no futuro da humanidade.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a adoção de regulamentação para o setor. Na China, o Ministério das Relações Exteriores classificou um eventual freio tecnológico adotado pelas empresas como uma estratégia de contenção associada à Guerra Fria. Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou para o risco de o bloco perder acesso à tecnologia por causa de uma decisão externa.

Concentração tecnológica e disputa por regras

Especialistas em governança avaliam que a discussão expõe a dependência global de tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos e na China, países que concentram os modelos mais avançados. Para Caetano Penna, diretor do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), o cenário se aproxima dos acordos de não proliferação nuclear: países que já dominam a tecnologia participam da elaboração das regras e podem criar barreiras para novos concorrentes.

Penna afirmou que uma desaceleração nos laboratórios americanos pode reduzir o acesso de pesquisadores externos aos avanços. Na avaliação dele, as normas não deveriam ser definidas por poucas empresas de dois países, enquanto os efeitos da tecnologia alcançam o restante do mundo. O diretor defendeu que o Brasil discuta o tema no G20, na ONU ou na Organização de Cooperação Mundial em Inteligência Artificial (Waico), fundada pela China.

Marina Favaro, presidente do conselho do Anthropic Institute, disse que a empresa trabalha em mecanismos de prestação de contas para assegurar que todos os concorrentes reduzam o ritmo das pesquisas. OpenAI, Google e xAI sinalizaram concordância com uma desaceleração no avanço da tecnologia de ponta.

A reação também alcançou os mercados. As ações da japonesa SoftBank, que detém cerca de 13% da OpenAI, recuaram 10,7%. O Nasdaq caiu até 1,2%, enquanto o Kospi, na Coreia, recuou 3,3%. Em Hong Kong, a Bolsa avançou 0,2%, mas os papéis do laboratório chinês Z.AI despencaram 7,5%.

Regulação, segurança e autonomia

O CEO da OpenAI, Sam Altman, defendeu uma instituição independente para avaliar riscos e afirmou que a segurança deve prevalecer sobre o risco de processos antitruste. Em publicação no X, disse: “Não acreditamos que precisamos esperar por uma isenção antitruste ou legislação”.

Altman se encontrou brevemente com Trump nesta segunda, depois de o presidente criticar a iniciativa da Anthropic. Trump argumentou que regras podem provocar falências no setor e afirmou, na rede Truth Social, que o controle da tecnologia depende apenas de um presidente forte. Também disse que os Estados Unidos já têm poderes criminais e regulatórios sobre as empresas e que a China se beneficia da oposição aos data centers.

Renato Leite Monteiro, diretor do think tank Reglab, afirmou que a falta de marcos regulatórios previsíveis deixa as empresas sujeitas a decisões políticas arbitrárias. Ele citou o bloqueio do governo americano aos modelos Mythos e Fable 5, da Anthropic, depois do início da distribuição comercial, e defendeu regras capazes de evitar que decisões pontuais interrompam operações.

O Ministério das Relações Exteriores da China sustentou que a iniciativa americana teria como objetivo preservar a predominância dos Estados Unidos em tecnologias de fronteira e excluir a República Popular da China da governança global da inteligência artificial.

Lagarde disse que a Europa precisa desenvolver modelos bons o suficiente para a maioria das tarefas e capazes de operar com infraestrutura europeia. Para ela, essa autonomia reduziria o risco de isolamento e a possibilidade de a tecnologia ser usada como instrumento de pressão em negociações sobre tarifas ou impostos digitais.

Penna, que participou da formulação do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia), defendeu a continuidade dos investimentos nacionais em capacidade de computação e processamento, supercomputadores, energia, formação de profissionais e capital para transformar pesquisa em inovação.

Apelo das Nações Unidas

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta segunda uma ação urgente para regulamentar a inteligência artificial diante dos riscos atribuídos aos sistemas mais avançados. “Todos os direitos humanos estão ameaçados”, afirmou, ao defender que Estados e empresas atuem em estruturas multilaterais.

Sérgio Amadeu, professor de políticas públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC), apontou conflito de interesses na atuação das empresas. Para ele, uma corporação não pode definir sozinha as regras do próprio setor, porque seus objetivos econômicos não abrangem, por si só, os interesses da sociedade e do meio ambiente.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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