A Justiça da Alemanha decidiu nesta quarta-feira (7) manter preso August Hanning, ex-chefe do BND, o serviço de inteligência externa do país. Aos 80 anos, ele é investigado por suspeita de espionagem e traição, por supostamente repassar informações confidenciais a um governo estrangeiro.
Hanning foi detido na terça-feira (6). Ele comandou o BND de 1998 a 2005. As autoridades alemãs investigam um esquema que teria começado em 2010 e envolvido o pagamento a um funcionário do órgão, identificado como Manfred D., em troca de documentos sigilosos da inteligência alemã. O material teria sido encaminhado ao serviço de inteligência de outro país.
Os procuradores federais responsáveis pelo caso afirmam que ainda não foi identificado o governo que teria recebido as informações. Também não está esclarecido se os documentos chegaram aos destinatários pretendidos. As investigações, portanto, ainda buscam determinar tanto o possível beneficiário quanto o destino efetivo do material.
Manfred D. também está preso desde terça-feira (6). Ele atuou como chefe de gabinete de sucessivos dirigentes do BND, inclusive Hanning, até se aposentar em março deste ano. De acordo com os promotores, os dois são suspeitos de vazar aproximadamente 2 mil documentos até junho de 2022.
As autoridades do Azerbaijão negaram envolvimento no caso. A hipótese de uma ligação com o país passou a ser examinada depois que Hanning teria entrado em contato com um agente azerbaijano.
A defesa de Hanning nega que tenha existido o esquema. O advogado reconheceu que o ex-dirigente estava de posse de documentos confidenciais, mas contestou a acusação de repasse mediante pagamento: “a alegação de que repassou informações, ainda mais mediante pagamento, é incorreta”. A manutenção da prisão ocorre enquanto as autoridades prosseguem com a apuração.

