O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) determinou que a Meta e a rede social X forneçam, em até três dias, informações capazes de identificar a origem e o caminho percorrido por um documento falso atribuído à Polícia Federal (PF) e divulgado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A ordem foi assinada na terça-feira (6) pelo desembargador Sálvio Chaves, relator de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral apresentada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) contra Nikolas. O processo examina se houve abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A decisão desta terça-feira não encerra a análise das acusações.
O tribunal solicitou registros de acesso, endereços de IP e outros dados vinculados aos perfis que publicaram ou compartilharam o material. A Meta deverá informar as datas e os horários exatos de publicação e de eventual retirada, além de apresentar, se estiver disponível, o arquivo original divulgado pelo perfil @easyfatos.
Entre as contas mencionadas na determinação estão @nikolasferreirateam e @easyfatos. No caso da postagem de Nikolas, a empresa também terá de fornecer informações sobre visualizações, alcance, respostas, compartilhamentos e demais interações registradas na plataforma. A medida busca reconstruir a sequência de circulação do documento nas redes sociais.
O documento atribuído à Polícia Federal
O arquivo simulava um relatório da Polícia Federal e afirmava que a corporação não havia encontrado indícios de crime em conversas entre Nikolas Ferreira e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A Polícia Federal confirmou que não produziu o material.
O documento começou a circular depois que vieram a público mensagens trocadas entre Nikolas e Vorcaro. Nas conversas, o deputado chama o empresário de “Dani” e pede ajuda para uma demanda relacionada à liberação de um ativo minerário. O pedido aparece em um áudio enviado em março de 2025.
Nikolas disse que um advogado e ex-assessor precisava de auxílio e afirmou que poderia intermediar o contato. Em outro trecho, mencionou um fórum realizado em Londres e declarou: “Não fazia ideia que era este o banco do Dani. Senão, obviamente, eu não teria postado, já teria conversado anteriormente”. Após a divulgação das mensagens, negou irregularidades e afirmou que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro.
Medidas no processo eleitoral
Rogério Correia questiona a divulgação do documento e sustenta, no processo, que a publicação pode caracterizar abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante o processo eleitoral. De acordo com a decisão, a falsidade do arquivo já é tratada como fato incontroverso no caso. A etapa atual pretende esclarecer quem o produziu, como ele começou a circular e quais perfis contribuíram para sua disseminação.
O relator decidiu não requisitar, por enquanto, um processo administrativo da Polícia Federal citado pela parte autora. A decisão registra que não foi esclarecido de forma suficiente qual seria o objeto desse procedimento nem como seu conteúdo ajudaria na investigação eleitoral.
Também foram divulgadas mensagens nas quais Vorcaro afirmou ter pago “todos os voos” usados por Nikolas, em conversa com o empresário Flávio Carneiro, em abril de 2024. As mensagens não indicam quantos voos foram custeados nem a qual período a declaração se referia. Durante o segundo turno das eleições de 2022, Nikolas usou um jato de Vorcaro em atividades de campanha. O deputado afirmou que não sabia quem era o proprietário da aeronave e que descobriu isso posteriormente.


