A Academia Goncourt retirou da lista de indicados ao prêmio literário mais tradicional da França o romance “C’était Ça ou Mourir”, do autor haitiano-canadense Thelyson Orelien. A decisão impede que a obra concorra ao Prêmio Goncourt de 2026.
A desclassificação foi anunciada nesta sexta-feira (25), depois que uma conta da rede social X, chamada “Balance ton Claude”, acusou Orelien de ter usado inteligência artificial na escrita do livro. A ferramenta de detecção Pangram teria indicado que a obra “foi escrita quase inteiramente por inteligência artificial”. Especialistas, porém, questionam a confiabilidade de ferramentas desse tipo.
O ensaísta Samuel Fitoussi assumiu a autoria do perfil e afirmou que o administra com outras pessoas, que não foram identificadas. Depois das acusações relacionadas ao uso de IA, também surgiram alegações de plágio envolvendo trabalhos anteriores de Orelien.
Acusações anteriores
Um conto publicado pelo escritor em 2012 teria reproduzido trechos de uma obra do autor francês Louis Pauwels. Também há a alegação de que um artigo de opinião escrito por Orelien em 2012 foi copiado de um jornal das Filipinas. As denúncias abriram um debate no meio literário francês sobre raça, mérito e originalidade.
Orelien negou ter utilizado inteligência artificial para escrever “C’était Ça ou Mourir”, mas ainda não se manifestou sobre as demais acusações. A Academia Goncourt disse que se opõe totalmente à “criação de textos gerados com o auxílio da IA” e informou que não comentará o caso até 6 de outubro, data prevista para o anúncio dos finalistas.
As editoras francesa e canadense responsáveis pela publicação do romance declararam apoio ao autor. Livro de estreia de Orelien, “C’était Ça ou Mourir” foi publicado em 2025 e narra a trajetória de um imigrante haitiano que atravessa a América Latina para chegar ao Canadá. A obra recebeu os prêmios “Palmarès Livres Hebdo des libraires” e “Prix Première Plume” e foi traduzida para mais de 20 idiomas.

