Casamentos em diferentes partes do mundo são acompanhados por rituais que podem envolver sujeira, perguntas difíceis, cusparadas, reclusão e barulho. Essas práticas, mantidas em comunidades específicas, funcionam como testes, bênçãos ou formas de celebrar a união.
Rituais antes e depois da cerimônia
Em áreas rurais da Escócia, amigos e familiares podem capturar o noivo — e, em alguns casos, também a noiva — para cobri-los com melaço, farinha, ovos, feijão, fuligem e penas. A mistura é difícil de retirar. Depois, o casal é levado pelas ruas em um desfile. Conhecido como “blackening”, o costume é associado a uma prova de resistência anterior ao casamento.
Na Coreia do Sul, o dongsangnye (동상례) era realizado quando o noivo visitava pela primeira vez a família da noiva após a união. Amigos dele e homens da família dela o amarravam e faziam perguntas ou apresentavam charadas. Quando errava ou demorava a responder, o noivo tinha os pés golpeados com bastões e peixe seco.
O peixe usado geralmente era uma corvina-amarela desidratada, chamada gulbi. Por ser rígido, produzia barulho e assustava, mas não tinha como objetivo ferir. A prática se tornou incomum nos centros urbanos, embora ainda apareça em algumas áreas rurais como brincadeira.
Entre os Maasai, povo indígena que vive no sul do Quênia e no norte da Tanzânia, o pai da noiva cospe na testa e nos seios da filha durante o casamento. O gesto é uma bênção e expressa proteção, amor e despedida no momento em que ela deixa a família. Também pode ser compreendido como uma oração por uma união longa, próspera e fértil.
Reclusão e quebra de louças
Na tribo Kidung, em Kalimantan, na ilha de Bornéu, os recém-casados permanecem dentro de casa e não usam o banheiro por 72 horas. Durante esse período, recebem pequenas quantidades de água e comida e são vigiados pelas famílias. A quebra da regra seria associada à má sorte e ao fracasso do casamento.
A prática integra o conceito de pingitan, um período de reclusão antes ou depois do casamento presente em várias etnias locais. A restrição alimentar favorece o isolamento, mas o foco do costume está na transição espiritual e no teste de paciência e autocontrole do casal.
Na Alemanha, o Polterabend reúne parentes, amigos, vizinhos e moradores locais na véspera ou nos dias anteriores ao casamento. Os participantes quebram, diante da casa da noiva, porcelanas, cerâmicas, vasos, azulejos e até louças sanitárias. A palavra Poltern está ligada ao estrondo produzido. Pela tradição, os cacos atraem felicidade e sorte; depois, a família costuma contar com baldes de plástico para limpar o local.


