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Política

Documentário sobre Cambahyba enfrenta tentativa de censura antes da estreia

Diretor Marcelo Fonseca afirma que notificações e escolta policial evidenciam disputa sobre a memória da ditadura no Brasil.

O documentário “Usina Cambahyba: Das Cinzas da Tortura à Terra Prometida”, dirigido por Marcelo Fonseca, enfrentou uma tentativa de censura e medidas de intimidação antes da primeira exibição pública. Na véspera da estreia, a produtora recebeu uma notificação extrajudicial de advogados ligados à usina, com pedido para retirar conteúdos do ar e advertência sobre possíveis responsabilidades civil e criminal.

A sessão ocorreu em Macaé, no dia 19 de agosto, sob escolta da Polícia Militar. Fonseca afirmou que a situação não deve ser tratada como normal em uma democracia e classificou o episódio como uma tentativa clara de impedir a circulação da obra.

Base documental e disputa judicial

O filme aborda a história da antiga usina de cana-de-açúcar Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. O local aparece relacionado a denúncias de ocultação de corpos durante a ditadura empresarial-militar e também a conflitos fundiários iniciados nos anos 1960.

Segundo o diretor, a alegação apresentada para tentar vetar o curta é que ele conteria “fatos caluniosos” e “fantasia”. Fonseca contesta essa interpretação e afirma que o documentário se apoia no trabalho da Comissão Nacional da Verdade, realizado em 2012, em denúncias do Ministério Público Federal e na condenação, em 2023, de Cláudio Guerra.

Ex-agente do Dops e autor do livro “Memórias de uma guerra suja”, Guerra confessou ter incinerado 12 corpos de desaparecidos políticos na usina. De acordo com Fonseca, ele também depôs à Comissão Nacional da Verdade depois de afirmar que havia se tornado pastor e precisava ser perdoado pelos crimes.

A propriedade foi ainda palco de uma disputa por terra que resultou, neste ano, na conquista do assentamento Cícero Guedes pelo Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST). Para o cineasta, a usina reúne marcas da repressão política e da luta dos trabalhadores pelo território.

Fonseca relaciona a tentativa de retirar o filme de circulação ao controle da memória histórica brasileira. Ele afirma que a obra busca atualizar o debate sobre a ditadura em um contexto no qual parte da população ainda defende o AI-5 e a volta do regime autoritário. “Narrativa é poder”, disse o diretor, ao reafirmar que defenderá o documentário nos tribunais.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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