O julgamento envolvendo Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) concentrou 2,5 milhões de menções nas redes sociais entre terça-feira, 15, e quarta-feira, 16, segundo relatório divulgado pela consultoria Bites. O volume corresponde às referências ao embate entre ministros durante a sessão, dentro de um universo de 4,8 milhões de publicações monitoradas até as 13h de quarta-feira.
A repercussão manteve o Supremo no centro do debate político digital na reta final da campanha presidencial. A Bites afirma que as críticas à Corte estão entre os conteúdos de maior engajamento nas redes sociais no país e avalia que o fluxo pode perder intensidade nos próximos dias, antes de voltar a crescer perto da sessão sobre André Mendonça, marcada para a próxima quarta-feira, 23.
A transmissão oficial do STF no YouTube também alcançou seu maior volume de audiência. O vídeo da sessão acumulava 3,2 milhões de visualizações até as 13h de quarta-feira, superando os registros de sessões anteriores do Supremo.
As buscas pelo STF no Google atingiram o maior nível desde 2004, quando começou a série histórica da plataforma no Brasil. Nas 24 horas analisadas, a crise envolvendo Moraes gerou mais interesse do que a entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva à TV Record e do que a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, conforme o levantamento.
Discussões antigas entre ministros, incluindo Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e Joaquim Barbosa, também voltaram a circular nas redes.
Próxima sessão e disputa presidencial
A sessão do dia 23 deve analisar questionamentos sobre a atuação de André Mendonça na condução das investigações do caso Master. A mobilização em torno do tema já começou: o deputado federal Nikolas Ferreira publicou vídeos de crítica ao STF e convocou manifestações para a data. Um desses conteúdos somava 29 milhões de visualizações no levantamento da Bites.
A consultoria relaciona a variação do interesse nas redes a um ciclo que pode ganhar força com a aproximação da sessão, mas ressalva que a evolução do debate dependerá da reação dos usuários e da cobertura jornalística.
O episódio também passou a integrar a disputa digital entre os candidatos à Presidência. Romeu Zema explorou de forma mais ativa a agenda crítica ao STF, mas teve menos interações em seus perfis oficiais do que Lula e Flávio nas últimas 24 horas.
Lula registrou 1,2 milhão de interações em suas publicações, contra 1 milhão de Flávio. Zema ficou com 814 mil. Flávio teve seu melhor desempenho no Facebook em uma publicação sobre a crise no Supremo, enquanto Lula concentrou as postagens em temas como fome e desemprego.


