ANGRA DOS REIS — Leandro Garcia, ex-chefe de cozinha de Daniel Vorcaro, relatou à Polícia Federal que foi abordado por um grupo interessado em saber se ele guardava vídeos, provas ou informações sobre o empresário. O episódio ocorreu em 4 de junho de 2024, no hotel onde Garcia trabalhava, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro.
De acordo com o depoimento, um homem que se identificou como Emanuel ou Manoel disse agir a mando de Vorcaro. Ele estava acompanhado de Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, e de outros seis homens. Garcia contou que foi chamado por uma garçonete para conversar com um hóspede que alegava ter um assunto urgente.
O interlocutor perguntou se o ex-funcionário tinha o telefone da esposa de Vorcaro ou algum vídeo relacionado ao empresário armazenado no celular. Garcia respondeu que não possuía esse material. O homem também teria dito que havia recebido a ordem de levantar informações sobre ele e mostrado um envelope com dados pessoais, como endereço e placa do carro.
“Eu vim a mando do seu Daniel, eu mexo com o jogo”, relatou Garcia, reproduzindo a apresentação feita pelo homem.
Garcia afirmou que Mourão permaneceu sentado ao lado do interlocutor e não participou da conversa. O ex-funcionário disse ter reconhecido o homem depois de ver imagens dele na televisão, quando o nome “Sicário” passou a ser associado ao caso do Banco Master.
O relato sobre a abordagem
Embora tenha descrito o tom do encontro como tranquilo, Garcia interpretou como ameaça a afirmação de que o grupo não queria voltar ao hotel para “te atrapalhar” caso ele tivesse alguma informação ou material. O homem ainda teria dito que não registrou a conversa porque estava sem o celular.
O ex-chefe afirmou que só comentou o episódio com familiares cerca de um ano depois e não informou os advogados da empresa em que havia trabalhado. Ele também disse não ter conseguido verificar se os homens estavam armados.
Garcia trabalhou para Vorcaro de setembro de 2021 a março de 2024, na casa de praia do empresário em Angra. Segundo o depoimento, pediu demissão por estar insatisfeito com questões trabalhistas e por precisar passar por uma cirurgia. A abordagem aconteceu três meses depois. Ele declarou acreditar que os conflitos com a empresa poderiam estar relacionados à procura do grupo.
O ex-funcionário mencionou ainda um episódio envolvendo o comandante de uma embarcação ligada a Vorcaro. Segundo Garcia, o comandante havia informado à empresa que possuía filmagens de acontecimentos ocorridos no barco e anotações no diário de bordo. Depois que deixou o trabalho, pessoas teriam ido a uma marina atrás dele. O comandante teria avisado Garcia que os homens poderiam procurá-lo também.
Garcia relatou que havia preocupação na empresa com funcionários que tiravam fotos durante festas e eventos. Disse, porém, que nunca gravou essas ocasiões ou acontecimentos nas embarcações e que mantinha apenas imagens relacionadas ao trabalho na cozinha.


