O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o tamanho do ato convocado para a Avenida Paulista pode influenciar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A declaração foi feita em uma live pelo Instagram com apoiadores neste domingo (6).
Na avaliação de Flávio, parte dos ministros da Corte considera a opinião pública ao tomar decisões. Por isso, uma grande presença na manifestação prevista para segunda (7) poderia pressionar o julgamento, que ainda não tem data marcada. Moraes foi citado pela Polícia Federal (PF) em conversas por mensagem com o então banqueiro Daniel Vorcaro, dias antes da prisão dele.
“Sei que lá dentro do Supremo tem algumas pessoas que são sensíveis a essa pressão popular”, disse Flávio ao conversar com o economista Marcos Lisboa. O candidato afirmou que o tribunal deveria proteger a instituição, a democracia e a Constituição, e não funcionar como um espaço de proteção ao ministro.
O ato está previsto para 15h e deve contar, além de Flávio, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e candidatos da direita ao Senado e à Câmara.
Divisão no Supremo
O quadro de votos descrito no texto coloca Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin entre os ministros favoráveis a blindar Moraes. Luiz Fux e André Mendonça seriam contrários. Como Moraes não participará da análise, permanecem em dúvida as posições de Dias Toffoli, Kássio Nunes Marques, Cármen Lúcia e do presidente do STF, Edson Fachin.
Fachin afirmou na sexta (4) que responderia ao conflito de forma “firme, proporcional e rigorosa”. O presidente do Supremo estabeleceu prazo de cinco dias para manifestações sobre o relatório apresentado contra Moraes e sobre o pedido de investigação formulado por Mendonça.
A disputa também alcança a Procuradoria-Geral da República e a PF. Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, chefes das duas instituições, foram citados nas conversas entre Moraes e Vorcaro. Gonet pediu a nulidade do relatório, alegando que Mendonça ultrapassou as funções de juiz, e abriu um procedimento para analisar como a PF produziu o documento solicitado pelo ministro.


