Às vésperas de ser preso, Daniel Vorcaro teria planejado uma estrutura financeira e societária para movimentar recursos que, segundo a Polícia Federal, foram desviados do Banco Master. O objetivo final apontado pelos investigadores era usar esse dinheiro na compra do controle da própria instituição.
A informação está em um relatório da PF cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça. O documento registra que, durante diligências realizadas em 18 de novembro de 2025, agentes encontraram, na sede do banco, um quadro branco com um fluxograma envolvendo valores, fundos de investimento, o Banco Master e a sigla “DV”. Para a polícia, a referência seria a Daniel Vorcaro.
No centro do esquema desenhado aparecia a inscrição “TITAN CAYMAN”, associada a uma possível empresa offshore sediada nas Ilhas Cayman. A PF investiga se essa estrutura seria usada para movimentar os recursos antes de uma operação destinada à aquisição do banco.
O que a polícia apura
Uma advogada da empresa informou aos investigadores que o desenho teria sido feito na noite anterior à operação. Na mesma ocasião, Vorcaro teria tomado conhecimento da existência do inquérito e tentado obter acesso ao conteúdo das investigações.
A polícia também afirma que o banqueiro pretendia viajar ao exterior diante da possibilidade de uma ação policial. No relatório, os investigadores classificam o quadro como um “evidente planejamento de fluxos financeiros e societários”.
Uma das etapas previstas envolveria a participação da empresa Fictor na aquisição do Banco Master. A hipótese investigada é que a operação permitiria comprar o controle da instituição com recursos desviados do próprio banco e depois movimentados por meio da offshore nas Ilhas Cayman.


