A defesa da soberania brasileira deve ocupar um lugar central nas eleições, avalia a cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para ela, o cenário inclui risco de ingerência do governo de Donald Trump no processo eleitoral e possibilidade de contestação do resultado caso a disputa seja definida por uma margem estreita de votos.
A avaliação ocorre em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e ao caso do Banco Master, apresentado no texto como a maior fraude financeira da história recente do país, com ministros do tribunal envolvidos. No 7 de setembro, apenas o presidente do STF, Edson Fachin, esteve nos atos do Dia da Independência, em Brasília (DF).
Em seu pronunciamento no domingo (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou destacar os episódios e concentrou o discurso na defesa da soberania. Lula afirmou que o Brasil “não será colônia de ninguém”.
Risco de contestação eleitoral
Goulart considera correta a ênfase dada por Lula à soberania porque, segundo ela, grupos golpistas não foram desmobilizados nem tiveram sua estrutura desmontada. A cientista política afirma que um posicionamento ambíguo do governo americano poderia estimular essas organizações e produzir células golpistas.
“Esse é um risco real”, disse. Na avaliação dela, o tema pode superar o debate sobre tarifas e se tornar uma discussão sobre a aceitação do resultado eleitoral.
A professora também diferencia a defesa do papel constitucional do STF da defesa individual de ministros. Ela afirma que o tribunal pode impedir atentados à democracia, aos direitos humanos e aos princípios constitucionais, mas que isso não exige defender condutas que considera indefensáveis.
Banco Master e disputa política
Goulart citou as tentativas de Flávio Bolsonaro de associar Lula ao Banco Master. Segundo a professora, Flávio é um dos maiores implicados no escândalo, que teria relações evidentes com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Para responder a essa narrativa, ela defende destacar os valores envolvidos no suposto financiamento do filme “Dark Horse” e esclarecer que Alexandre de Moraes não tem ligação com Lula. Também afirma não haver indício de envolvimento do presidente com qualquer dinâmica relacionada a Vorcaro e que o escândalo não tem correlação com o governo.
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o programa citado vai ao ar de segunda a sexta-feira em duas edições: das 12h25 às 14h e a partir das 17h, pela Rádio Brasil de Fato, em 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea pelo YouTube.


