O advogado e ex-ministro da Justiça Tarso Genro afirmou que Alexandre de Moraes deve explicar as acusações feitas contra ele durante a crise política que atingiu o Supremo Tribunal Federal. Caso sejam identificados erros ou ilegalidades e o ministro não esclareça sua responsabilidade, Tarso defendeu que ele seja processado.
Tarso reconheceu a atuação de Moraes na reação à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Ao mesmo tempo, classificou como graves as acusações dirigidas ao ministro e disse que ele deveria esclarecer o próprio grau de responsabilidade e assumir eventuais falhas.
“Se não der, vai ter que ser processado como todo mundo”, afirmou Tarso. Para o ex-ministro, a apuração deve estabelecer o que ocorreu e permitir que Moraes responda caso sejam confirmadas irregularidades.
Tarso também criticou o ministro André Mendonça. Ele mencionou a participação de Mendonça em um culto evangélico na semana passada e afirmou que o magistrado fez uma acusação de traição nacional contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação do ex-governador do Rio Grande do Sul, Mendonça deve ser investigado e processado.
O ex-ministro disse que, se ocupasse a Presidência da República, processaria Mendonça por difamação. Para ele, a manifestação do ministro não teria sido apenas uma acusação política.
Apesar das críticas, Tarso afirmou que os conflitos devem ser resolvidos pelas instituições. Ele avaliou como adequada a condução do presidente do STF, Edson Fachin, e disse acreditar que o Supremo e a democracia podem sair fortalecidos da crise.
Na entrevista, Tarso também defendeu a independência da Polícia Federal, instituição que comandou durante o governo Lula. Segundo ele, a corporação deve atuar como instituição de Estado, seguindo seus regulamentos e sem submissão a interesses políticos. O ex-ministro afirmou ainda que a PF possui mecanismos de controle internos e externos, além de profissionais qualificados e prestígio internacional, embora possa cometer erros.



