BOLÍVIA — A aprovação pelo Legislativo de um memorando com o Fundo Monetário Internacional (FMI) é apresentada como condição para que a Bolívia possa buscar mais US$ 3 bilhões em empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da CAF e do Banco Mundial. O documento foi enviado pelo governo do presidente Rodrigo Paz à Assembleia Legislativa da Bolívia.
O acordo prevê financiamento externo de US$ 1,9 bilhão, com desembolsos ao longo dos próximos três anos. Em suas 19 páginas, estabelece como meta a redução do déficit fiscal de 9,1% para 3,8% até 2028.
Medidas econômicas previstas
Entre as ações descritas está o fim dos subsídios aos combustíveis em janeiro de 2027. O memorando também prevê a retirada gradual dos subsídios para eletricidade e gás natural, a suspensão do controle de preços de bens básicos e a liberalização das exportações de alimentos.
O pacote inclui ainda a compra de moeda estrangeira de bancos privados pelo Banco Central, o congelamento dos salários de setores essenciais do Estado e a elevação das taxas de juros para empréstimos ao consumidor e imobiliários. Professores, médicos, policiais e integrantes das Forças Armadas estão entre os grupos diretamente afetados pela política salarial prevista.
O Executivo afirma que poderá conceder bônus temporários como forma de reduzir os efeitos da inflação. O próprio memorando, porém, registra o risco de um “ressurgimento da agitação social” associado à perda de poder de compra.
Posição do governo
As autoridades do Ministério da Economia rejeitam a interpretação de que o programa seja uma imposição do FMI. “Não se trata de uma imposição do Fundo Monetário Internacional, mas sim de uma questão de responsabilidade econômica”, declararam.
Apesar dessa posição, o documento prevê coordenação direta entre o Estado boliviano e técnicos do FMI para definir a taxa de câmbio do dólar e avaliar a adoção de novos impostos. A implementação das medidas depende da tramitação do memorando no Legislativo.


