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Enchentes no Sul e seca na Amazônia expõem vulnerabilidade de comunidades tradicionais

Eventos associados ao El Niño ampliam isolamento, insegurança alimentar e falta de acesso a serviços em territórios indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

Enchentes no Sul e seca na Amazônia expõem vulnerabilidade de comunidades tradicionais

As enchentes no Sul e a seca na Amazônia têm atingido de forma mais intensa povos indígenas, comunidades quilombolas, populações ribeirinhas e outros grupos tradicionais. Os efeitos incluem isolamento, insegurança alimentar, perda de plantações, interrupção de estradas e dificuldade de acesso a alimentos, energia, escolas, hospitais e outros serviços essenciais. A avaliação é de Ian Dara Tapajós e Lanah Rebeca Medeiros, acadêmicas de Direito e integrantes da equipe da Terra de Direitos pelos programas Amazônia e Iguaçu.

As autoras relacionam os eventos ao El Niño de 2026–2027 e afirmam que previsões anteriores já indicavam a possibilidade de um fenômeno de grande intensidade, com recordes de temperatura. Para elas, isso permitia que os governos se antecipassem e adotassem medidas de proteção para as populações mais expostas.

Em 23 de setembro, a Defesa Civil Nacional reconheceu situação de emergência causada por estiagem e seca em municípios do Nordeste e, no Sul, por chuvas intensas, granizo e inundações. No Paraná, a elevação dos rios provocou alagamentos, bloqueios de estradas e isolamento de famílias. A Comunidade Quilombola João Surá, em Adrianópolis (PR), foi afetada pela cheia do rio e pelo fechamento das vias, com impactos no acesso a alimentos, energia, escola e hospital, além de perdas no plantio.

Os efeitos em João Surá e no Tapajós

A comunidade paranaense também enfrentou falta de assistência após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Segundo as autoras, moradores recorreram a medidas próprias, como um gerador a diesel improvisado para manter os freezers escolares em funcionamento e acessar a internet durante algumas horas.

No Tapajós, no oeste do Pará, o problema é a redução do nível dos rios. Comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas dependem das águas para a mobilidade e a subsistência. Quando o rio baixa, embarcações encalham, o acesso a centros urbanos como Santarém, Itaituba e Aveiro é interrompido e ficam comprometidos o transporte de alimentos, a pesca e a compra de mantimentos.

A região enfrentou uma estiagem severa em 2023 e 2024. A seca prejudicou roças e produções da agricultura familiar, aumentou a insegurança alimentar e favoreceu incêndios florestais. Em 2023, pessoas procuraram postos de saúde por problemas respiratórios associados à fumaça.

Após mobilização dos povos, os governos estadual e federal enviaram cestas básicas e kits de purificador de água. As Forças Armadas também transportaram mantimentos para comunidades de acesso mais difícil. O governador do Pará decretou situação de emergência no estado por meio do Decreto 3.455/2023.

As autoras afirmam que a seca prevista para atingir o auge em outubro pode repetir parte dos problemas dos anos anteriores. Elas apontam baixa dos rios, perda de mobilidade e calor extremo entre os efeitos já sentidos por povos que mantêm forte relação com o Rio Tapajós.

Prevenção e participação nas decisões

A crítica central é que as respostas do poder público chegam tarde ou não chegam. Para as autoras, a falta de proteção não está apenas na demora do socorro, mas também na ausência de medidas preventivas elaboradas de acordo com as condições de cada território.

O texto sustenta que eventos extremos atingem regiões inteiras, mas seus impactos são desiguais. A menor infraestrutura e o acesso insuficiente a políticas públicas fariam com que povos indígenas, comunidades quilombolas e populações ribeirinhas enfrentassem consequências mais graves. Essa desigualdade é descrita pelas autoras como racismo ambiental.

Em 2025, a COP 30, realizada em Belém (PA), reuniu cerca de 3 mil lideranças indígenas. Elas levaram alertas sobre a seca dos rios, a perda da biodiversidade, os incêndios e as mudanças nos períodos de plantio. Para Ian Dara Tapajós e Lanah Rebeca Medeiros, a participação não se converteu em medidas concretas suficientes para proteger os territórios.

As autoras defendem que esses povos participem da elaboração dos planos de prevenção, da definição de prioridades e da escolha das medidas de adaptação. Entre as propostas apresentadas estão tecnologias federais de monitoramento da seca, mecanismos de proteção financeira automática, estruturas permanentes de água potável, planejamento de estradas alternativas e estoques prévios de remédios e alimentos.

Na avaliação das autoras, o enfrentamento da crise climática precisa ir além do atendimento emergencial. A construção de políticas com participação dos povos indígenas, quilombolas, agricultores familiares e demais comunidades tradicionais seria necessária para transformar os alertas meteorológicos em proteção efetiva.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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