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Economista vê OCX como eixo da integração econômica da Grande Eurásia

Yaroslav Lissovolik defende que a organização avance em comércio, pagamentos locais e projetos de conectividade entre blocos regionais.

Economista vê OCX como eixo da integração econômica da Grande Eurásia

Yaroslav Lissovolik defende que a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) deixe de ser principalmente uma estrutura de segurança e se consolide como plataforma econômica da Eurásia e do Sul Global. Para o economista russo, a organização pode coordenar instituições de desenvolvimento, acordos comerciais e projetos de infraestrutura, além de aproximar a OCX do BRICS+.

A avaliação foi apresentada em uma entrevista concedida em 2 de setembro, dez dias antes da cúpula do BRICS em Nova Délhi, na Índia, e um dia depois do encerramento da cúpula da OCX em Bishkek, no Quirguistão. Na ocasião, o presidente Vladimir Putin havia destacado que o comércio da Rússia com os integrantes da organização alcançara US$ 400 bilhões, dos quais 98% eram realizados em moedas locais.

Da segurança à integração econômica

Segundo Lissovolik, a OCX nasceu há 25 anos com forte ênfase em segurança, mas as demandas econômicas das economias regionais passaram a ganhar peso. A criação de mecanismos mais previsíveis, baseados em regras e com maior institucionalização, poderia atrair a comunidade empresarial, investidores e mercados.

O economista afirmou não estar preocupado com a ausência de avanços mais amplos na criação de um banco da OCX. Para ele, ainda há questões a serem definidas e um período maior de preparação pode evitar erros no início. Quirguistão e Cazaquistão se ofereceram para sediar a instituição.

Lissovolik também defende a distribuição geográfica das instituições. Em sua avaliação, a governança global não deveria ficar concentrada em uma ou duas cidades, mas representar diferentes regiões do mundo.

Na cúpula, foram assinados 28 acordos. Entre os pontos destacados pelo economista estão as referências a pagamentos em moedas nacionais e os projetos de conectividade associados a corredores de comércio, especialmente o corredor Norte-Sul. A rota liga o porto de Mumbai ao Irã e segue até São Petersburgo por ferrovia e navegação no mar Cáspio, reduzindo a distância em relação ao trajeto pelo canal de Suez.

Conexão entre OCX e BRICS+

O corredor reúne Rússia, Irã e Índia, países que participam tanto da OCX quanto do BRICS. Lissovolik considera possível uma cooperação entre os bancos dos dois espaços. O Novo Banco de Desenvolvimento já cofinancia projetos com bancos regionais, como o Banco de Desenvolvimento da União Econômica Eurasiática, e esse modelo poderia ser aplicado ao futuro banco da OCX quando ele estiver em operação.

Atualmente, Rússia, China, Irã e Índia são membros plenos dos dois blocos. Considerando parceiros, observadores e outras categorias de participação, o número chega a onze países presentes nas duas estruturas. Para o economista, essa sobreposição amplia as possibilidades de projetos e plataformas do Sul Global, em vez de representar duplicação institucional.

Ele propõe que a organização avance para um formato OCX+, reunindo membros plenos, parceiros e observadores, além da integração eurasiática e de blocos como a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). A ideia seria organizar acordos comerciais hoje negociados bilateralmente em uma estrutura comum, mais sistemática e previsível.

A arquitetura dos blocos regionais

A proposta faz parte de uma visão segundo a qual os blocos regionais podem servir de base para uma economia global reformada. A mudança de perspectiva foi influenciada pela trajetória de Lissovolik, que passou pelo mercado financeiro, pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Deutsche Bank, pelo Banco de Desenvolvimento da União Econômica Eurasiática e pelo Sberbank.

Em 2023, ele fundou a Brics+ Analytics, consultoria voltada à elaboração de propostas para o BRICS e o Sul Global. Antes disso, em 2017, publicou o artigo que apresentou a sigla R5, referente ao uso das moedas nacionais dos cinco países do BRICS nas operações do Novo Banco de Desenvolvimento e de bancos regionais. A proposta se tornou um dos pontos de partida do debate posterior sobre uma moeda comum.

Lissovolik também formulou a plataforma Beams, que reúne a Iniciativa da Baía de Bengala para Cooperação Multissetorial (Bimstec), a União Econômica Eurasiática, a Área de Livre Comércio Continental Africana, o Mercosul e a OCX. A associação entre BRICS e Beams é apresentada como uma estrutura formada por países e blocos regionais.

Na síntese do economista, “a OCX será a espinha dorsal” do projeto de integração da Grande Eurásia. Ele prefere chamar esse arranjo de OCX+, concebido como uma plataforma para reunir instituições de desenvolvimento, acordos de integração e corredores de conectividade do Sul Global.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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