O Ibovespa operava perto da estabilidade nesta terça-feira, 15, em uma sessão marcada pela expectativa com a análise do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o ministro Alexandre de Moraes e pelas projeções para a eleição presidencial e para os juros. O índice abriu em 185.501,62 pontos e chegou à máxima de 186.465,12 pontos, com alta de 0,52%, antes de recuar à mínima de 185.055,57 pontos, queda de 0,24%. A diferença entre os extremos foi de 1.400 pontos.
Às 11h15, o indicador subia 0,24%, aos 185.939,52 pontos. Na sessão anterior, o Ibovespa havia encerrado em baixa de 0,91%, aos 185.500,88 pontos.
STF e cenário eleitoral
A Corte iniciou uma sessão para analisar se Alexandre de Moraes será alvo de apuração por causa de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Para Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, os negócios estavam em compasso de espera diante do julgamento. O consenso no mercado, segundo ele, era de 5 a 3 votos pela abertura de uma investigação oficial, embora o resultado ainda não estivesse definido.
A decisão pode afetar as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. Mota afirmou que os investidores acompanham os possíveis efeitos do julgamento sobre o cenário eleitoral. Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, também avaliou que as deliberações do STF e eventuais novas revelações sobre as investigações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse podem repercutir na eleição.
A pesquisa CNT/MDA mostrou que Luiz Inácio Lula da Silva oscilou de 42,4% para 40,5% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 28,7% para 30,4%. Em uma simulação de segundo turno, Lula apareceu com 47,3%, ante 40% de Flávio. Outro levantamento, da Indexa/Broadcast, indicou Lula com 43% e Flávio com 42% no segundo turno. No primeiro turno, os percentuais foram de 38% e 34%, respectivamente.
Exterior, juros e ações
No exterior, os índices acionários recuavam moderadamente. O petróleo Brent, porém, mantinha alta depois de subir 2,4% durante a madrugada, para acima de US$ 108 por barril, em meio a preocupações com a oferta. Às 11h12, o avanço era de 1,7%. A valorização do petróleo aumentava as preocupações com a inflação, especialmente nos Estados Unidos, onde o Federal Reserve deveria elevar os juros na mesma semana da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
No Brasil, a expectativa era de novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, para 13,75% ao ano, na decisão de amanhã. O resultado das vendas no varejo reforçava essa aposta. O varejo restrito caiu 0,8% em julho ante junho, enquanto as vendas ampliadas subiram 0,4% no mesmo intervalo, abaixo da expectativa mediana de 0,9%. Na comparação com julho de 2025, o varejo ampliado cresceu 1,8%.
Entre as ações ligadas a commodities, a Vale recuava 0,61%, enquanto a Petrobras avançava 1,98% nas ações preferenciais e 2,36% nas ordinárias. Em Dalian, o minério de ferro caiu 0,56%.
A Vale ainda era acompanhada após o Ministério Público Federal ajuizar ação civil pública contra a empresa, a Agência Nacional de Mineração e o governo de Minas Gerais. O processo trata do extravasamento de água e sedimentos na mina de Viga, em Congonhas (MG), em janeiro de 2026.
A Petrobras, por sua vez, firmou contrato de longo prazo com a Sempra Infrastructure para comprar 0,8 milhão de toneladas por ano de Gás Natural Liquefeito durante 20 anos. O suprimento virá do Terminal de Liquefação de GNL de Port Arthur, no Texas.



