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Economia

Selic enfrenta pressão externa e incertezas sobre inflação e contas públicas

Decisão do Copom ocorre enquanto juros longos sobem no exterior, petróleo avança e o mercado monitora a situação fiscal brasileira.

Selic enfrenta pressão externa e incertezas sobre inflação e contas públicas

O Comitê de Política Monetária (Copom) deverá decidir, na quarta-feira, 16 de setembro, se mantém o ciclo de redução da Selic ou interrompe a sequência diante da piora das condições financeiras internacionais. A taxa básica está em 14%, e a expectativa é de um corte para 13,75%, embora a manutenção do nível atual também seja considerada possível.

A decisão ocorrerá simultaneamente a reuniões de outros bancos centrais. O Federal Reserve, dos Estados Unidos, anunciará sua taxa para os próximos 45 dias na mesma quarta-feira. Na quinta-feira, 17, será a vez do Banco da Inglaterra e do Banco do Japão. O Banco Central Europeu (BCE) já elevou sua principal taxa de juros de 2,25% para 2,5%, na quinta-feira 10 de setembro.

Juros longos e cenário internacional

O ambiente externo é marcado pela elevação dos juros de longo prazo. Em agosto, a taxa dos títulos do Tesouro americano com vencimento em 10 anos fechou em 4,75%, maior nível em quase 20 anos. No Japão, uma taxa semelhante ficou próxima de 3%, o maior patamar em 30 anos. Na Alemanha, chegou a 3,3%, máxima em 15 anos. Em setembro, o movimento continuou ascendente.

A Ibiuna Investimentos, que administra R$ 13 bilhões e é dirigida pelos ex-integrantes do Banco Central Mário Torós e Rodrigo Azevedo, relaciona esse processo a mudanças posteriores à pandemia. Entre os fatores macroeconômicos estão o maior endividamento dos governos, após a expansão fiscal, e a permanência da inflação acima das metas em grande parte das economias desenvolvidas há mais de cinco anos. No campo microeconômico, a gestora aponta a demanda por investimentos de capital ligados aos ganhos de inteligência artificial e o aumento dos gastos militares em razão da tensão geopolítica.

Os dirigentes da Ibiuna avaliam que ainda é necessário identificar se a alta dos juros representa uma volta aos níveis anteriores à crise de 2008 ou se indica uma trajetória prolongada, com equilíbrio em patamares mais elevados. Também consideram decisivo saber se o movimento continuará ordenado. Nesse caso, os ativos de risco seriam menos afetados e o dólar poderia perder força. Uma aceleração desorganizada, por outro lado, tenderia a provocar aversão ao risco e valorização global da moeda americana.

Risco fiscal e decisão brasileira

Para a gestora, uma eventual intensificação dos juros globais teria importância especial para o Brasil por causa da fragilidade fiscal, da rápida elevação da dívida pública, dos prêmios maiores pagos pelo Tesouro e do encurtamento dos prazos de rolagem da dívida doméstica. O cenário aproxima os juros reais dos níveis observados na crise de 2015/2016 ou há 20 anos, mas com uma relação Dívida/PIB mais alta.

A Ibiuna considera necessária uma sinalização de ajuste fiscal capaz de estabilizar o endividamento. Também identifica dúvidas sobre a capacidade de o governo atual, caso seja reeleito, promover esse ajuste em um período de juros internacionais elevados. Uma mudança de governo, na avaliação da gestora, poderia gerar expectativa de ajuste fiscal, reduzir o prêmio de risco e favorecer a reprecificação dos ativos brasileiros.

No Brasil, a autoridade monetária está diante de sinais conflitantes. Nos quatro encontros anteriores, a Selic caiu 1 ponto percentual, com reduções de 0,25 ponto em cada reunião. A desaceleração da atividade indica que a política monetária restritiva produz efeito e contribui para a desinflação, mas também amplia o passivo de famílias e empresas endividadas.

A alta do petróleo, com o barril Brent próximo de US$ 105, pode fortalecer o dólar no mercado internacional e pressionar a inflação brasileira pelo câmbio. O agravamento do conflito no Oriente Médio acrescenta incerteza ao cenário e pode levar o Copom a rever o ritmo de cortes.

Paralelamente, o Banco Central prepara medidas para conter abusos na oferta de crédito digital. Entre as possibilidades está o aumento da exigência de capital dos bancos em operações com cartões de crédito e crédito pessoal sem garantias.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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