O presidente do conselho da Petz Cobasi, Sérgio Zimerman, afirmou que o fim da cobrança de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 favorece plataformas estrangeiras e prejudica empresas brasileiras. Ele também criticou a proposta de encerramento da escala 6x1 e defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes enquanto forem apuradas as conversas mantidas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Zimerman avaliou que as duas medidas econômicas estão associadas à disputa eleitoral e podem produzir efeitos sobre arrecadação, emprego, preços e atividade do varejo. Para ele, a redução da jornada, caso aprovada sem mudanças na forma de contratação, elevaria o custo da mão de obra e pressionaria a inflação.
Críticas à isenção de importação
A cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi eliminada após sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira, 10 de setembro. Na avaliação de Zimerman, a mudança cria tratamento desigual entre produtos fabricados no Brasil e mercadorias enviadas do exterior.
O empresário disse que o fim da taxa pode afetar diretamente cerca de 20% do negócio da Petz Cobasi, principalmente nas áreas de acessórios, brinquedos e roupas para animais. Ele afirmou que itens vendidos nas lojas brasileiras enfrentam uma carga tributária maior do que produtos semelhantes importados diretamente pelo consumidor.
Zimerman também declarou que o Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) avalia medidas judiciais para questionar a constitucionalidade da mudança, com base no princípio de isonomia tributária. Segundo ele, os estudos ainda serão encomendados e a judicialização dependerá da existência de elementos para sustentar a medida.
O empresário estimou em R$ 5 bilhões a renúncia de arrecadação associada ao fim da cobrança. Para ele, a decisão pode ampliar as vendas de plataformas estrangeiras, reduzir o comércio local e diminuir a arrecadação. Zimerman afirmou que a medida beneficia empresas de fora do país enquanto impõe custos maiores a negócios instalados no Brasil.
Jornada de trabalho e custos
Ao tratar da escala 6x1, Zimerman defendeu maior flexibilidade para a organização dos horários e sugeriu que a remuneração por hora, com preservação dos direitos trabalhistas, seria uma alternativa. Ele rejeitou a ideia de que a redução da jornada possa ocorrer sem impacto sobre os salários ou os preços.
O Grupo Petz Cobasi tem 15,8 mil colaboradores. O empresário citou o caso de um trabalhador contratado sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho: se ele trabalhar 10% menos e mantiver o mesmo salário, o custo da mão de obra aumentará na mesma proporção, segundo a avaliação apresentada por Zimerman. A empresa, afirmou, tende a incorporar essa diferença aos preços.
Na visão do executivo, a combinação entre juros elevados, menor arrecadação e aumento de custos pode aprofundar as dificuldades do varejo. Ele disse que não espera demissões no setor pet no curto prazo, mas reconheceu essa possibilidade caso a economia retraída persista.
Em 2026, as ações AUAU3 na B3 valorizaram 4,13%. O Grupo Petz Cobasi tem valor de mercado de R$ 3,3 bilhões.
Defesa de afastamento de Moraes
Na avaliação de Zimerman, as mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes constituem indícios que devem ser investigados, sem que isso elimine o direito de defesa. O banqueiro pagou R$ 130 milhões para contratar o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O empresário afirmou que um ministro do Supremo Tribunal Federal não deve atuar como assessor pessoal ou advogado de um banqueiro. Para preservar a credibilidade da Corte, defendeu que Moraes se afaste ou seja afastado preventivamente enquanto o caso é examinado.
“Alexandre de Moraes deve se afastar ou ser afastado”, afirmou Zimerman. Em outra declaração, disse que, se estivesse no lugar do ministro, pediria uma licença de 90 ou 120 dias para cuidar da própria defesa.
Zimerman também criticou a situação do Supremo e pediu que o presidente da Corte, Edson Fachin, tome medidas para recuperar a confiança na instituição. Para ele, denúncias e indícios devem ser investigados independentemente da posição política dos envolvidos, com garantia de defesa.
Eleição e cenário econômico
O empresário atribuiu parte da dificuldade do debate à polarização política. Segundo ele, medidas econômicas passaram a ser tratadas como instrumentos eleitorais, enquanto questões de longo prazo, como equilíbrio fiscal, emprego e arrecadação, ficam em segundo plano.
Zimerman afirmou que o governo gasta mais do que arrecada e, por isso, não teria autoridade para propor uma medida que reduza receitas. Também disse que os juros elevados não resolvem a inflação e prejudicam a atividade econômica.
Ao comentar a eleição, ele mencionou os cenários envolvendo Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Na sua avaliação, o eleitor terá de decidir entre a continuidade do governo atual e uma alternativa que afirma que poderá corrigir os problemas econômicos. Para Zimerman, não escolher entre as opções não é uma possibilidade, porque um dos dois será eleito.



