O ministro Gilmar Mendes criticou, nesta terça-feira, 15, a condução de procedimentos que envolvem integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante uma sessão, ele afirmou que há desorganização no andamento das apurações, nos critérios para dar continuidade a determinados casos e no tratamento de informações de inteligência reunidas no tribunal.
A manifestação ocorreu durante a análise da questão de ordem apresentada pelo próprio ministro para que os procedimentos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça sejam examinados conjuntamente pelo plenário. O caso é identificado como Pet 16.662.
A metáfora usada pelo ministro
Para resumir sua avaliação, Gilmar contou uma história que atribuiu ao professor Everardo Maciel. Na narrativa, um homem chamado Zé teria tentado entrar na casa do delegado-geral do Recife. Ao escalar o muro, caiu no galinheiro da residência, provocou alvoroço entre as aves e chamou a atenção do delegado, que apareceu segurando uma lanterna e um revólver.
Questionado sobre o que fazia no local, o homem teria respondido: “serviço mal feito, doutor”. Em seguida, Gilmar relacionou a história à forma como os procedimentos vêm sendo conduzidos no STF: “Nós estamos vivenciando uma realidade de serviço muito mal feito.”
O ministro sustentou que a falta de definição tornou o conjunto de apurações uma “grande barafunda”. Na avaliação dele, a situação envolve decisões sobre quais processos devem avançar ou permanecer parados e dúvidas quanto aos elementos de inteligência considerados.
Ao defender a reunião dos casos, Gilmar disse ser necessário estabelecer uma sequência para os procedimentos, delimitar exatamente o objeto das investigações e analisar as informações que ainda não foram confirmadas. Depois da manifestação, Fachin fez uma ponderação sobre a condução dos trabalhos. Gilmar esclareceu, então, que a crítica não era dirigida pessoalmente ao presidente do STF.



