O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal entregue ao seu gabinete, até as 23h deste domingo, 13, uma cópia da mídia extraída do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O aparelho foi apreendido na primeira fase da operação Compliance Zero.
O material será usado na preparação para o julgamento da Pet 16.662, marcado para terça-feira, 15. Em ofício enviado ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Zanin afirmou que precisa conhecer os dados para formar sua convicção e ressaltou que as provas pertencem ao plenário do Supremo e a todos os seus integrantes, não a um único ministro.
Acesso ao conteúdo
Zanin registrou que a Polícia Federal informou neste domingo que André Mendonça havia requisitado uma cópia da mídia do celular, apreendido em 18 de novembro de 2025. A corporação também teria comunicado que pode fornecer o conteúdo a todos os gabinetes do STF sem comprometer a preservação da cadeia de custódia.
Ainda conforme o ofício, a mídia já havia sido compartilhada com os advogados de Vorcaro e com o Congresso Nacional. No caso do Congresso, o envio ocorreu por determinação de Mendonça para instruir a CPMI.
O ministro afirmou que seu gabinete não havia recebido a cópia integral do material disponibilizado ao atual relator e aos anteriores, apesar de solicitações feitas por ofício e por outros meios. Para Zanin, não existe hierarquia entre os ministros do Supremo que permita restringir o acesso de um julgador às informações. Todos, segundo ele, estão submetidos ao dever de sigilo e devem exercer suas funções com imparcialidade e independência.
A sessão prevista para 15 de setembro ainda não tem objeto definido e poderá exigir a análise dos dados extraídos do celular. Zanin disse que precisa conhecer o conteúdo que deu origem ao IPJ requisitado por Mendonça para participar do julgamento de terça-feira, independentemente de outras implicações que o material possa indicar.
Ao presidente do Supremo, Edson Fachin, Zanin encaminhou cópia do ofício enviado à Polícia Federal, para conhecimento e eventuais providências. O ministro também ressalvou que outros gabinetes poderão fazer pedidos semelhantes para obter os mesmos dados.



