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Natália Gil questiona o uso do Pisa para medir a qualidade da educação

Pedagoga critica rankings e defende uma avaliação educacional que considere culturas, subjetividades e participação nas escolas.

Natália Gil questiona o uso do Pisa para medir a qualidade da educação

A divulgação dos resultados mais recentes do Pisa levou a pedagoga Natália Gil a questionar os critérios usados para medir a qualidade da educação no mundo. Em artigo de opinião, ela afirma que o desempenho dos países caiu na última década, com resultados especialmente piores em países ricos, como Dinamarca, França e Japão.

Realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) desde 2000, o Pisa aplica, a cada três anos, provas de leitura, matemática e ciências a uma amostra de estudantes de 15 anos. O objetivo é comparar sistemas escolares de diferentes países e verificar se os alunos adquiriram conhecimentos e habilidades considerados essenciais para a participação nas sociedades modernas.

Gil questiona, porém, a escolha dessas áreas como medida suficiente da educação. Ela observa que o exame não inclui artes, corporeidade, história ou sociabilidade e contesta a ideia de que apenas os resultados quantificados nessas três disciplinas permitiriam avaliar a formação dos estudantes.

A lógica dos rankings

Na avaliação da autora, o Pisa expressa uma linha teórica da Economia que se tornou hegemônica e passou a buscar países considerados modelos para outros com características sociais e econômicas semelhantes. Essa abordagem utiliza técnicas estatísticas, rankings e práticas associadas ao New Public Management para defender a competição entre escolas e sistemas de ensino.

A lógica, segundo Gil, é que a própria existência de classificações estimularia professores e gestores a melhorar seus resultados, mesmo sem financiamento suficiente ou condições adequadas para o funcionamento das escolas. Ela também critica a atuação de especialistas e think tanks que oferecem orientações de política educacional baseadas em diagnósticos como o Pisa.

A autora contrapõe os resultados internacionais aos indicadores brasileiros. Um mês antes da divulgação do Pisa, os resultados do Ideb, produzido pelo Inep, indicavam melhora da educação brasileira. No Pisa, entretanto, o Brasil ficou estagnado. Gil cita um estudo de Marialuisa Villani e Dalila Oliveira segundo o qual os dois indicadores seguem uma mesma inspiração em teoria econômica e usa essa diferença para questionar a objetividade atribuída a seus instrumentos.

Educação e subjetividade

Gil afirma não saber por que os resultados do Pisa caíram nessa edição e prevê que diferentes especialistas apresentarão explicações para o fenômeno. Para ela, a aceitação de cada interpretação dependerá das credenciais e da orientação teórico-política de quem a formular, além do espaço disponível para sua divulgação.

A pedagoga defende que a avaliação da qualidade educacional não seja reduzida a critérios objetivos e quantificados. Em sua análise, a escola envolve seres humanos, culturas variadas e subjetividades diversas, elementos que não seriam plenamente capturados por planilhas, rankings ou metas de desempenho.

A autora ressalva que essa posição não significa rejeitar toda forma de avaliação. Sua proposta é reconsiderar o predomínio de instrumentos econômicos e retomar contribuições de Paulo Freire e bell hooks, para quem a educação deve ser dialógica e entendida como prática de liberdade.

Ao final, Gil sustenta que a qualidade do ensino melhora quando as pessoas e suas culturas ocupam a escola, e não quando seus tempos e espaços são organizados por rankings, bonificação por resultados e outras ferramentas de gestão. Ela também menciona Ailton Krenak como referência para a ideia de que o caminho para adiar o fim do mundo passa por outra concepção de educação.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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