O desempenho de adolescentes em leitura caiu ao menor nível desde o início do Pisa, em 2000, enquanto o aumento do tempo diante de telas e a redução da leitura por prazer apareceram associados a resultados mais fracos. Os dados do Pisa 2025 foram divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pela avaliação.
A prova reuniu 760 mil jovens de 15 anos em 91 países. A média global em leitura foi de 466 pontos, mais de 30 pontos abaixo do maior resultado registrado, de 501 pontos em 2012. Singapura liderou essa área, com 535 pontos. O Brasil obteve 408 pontos, ficou na posição de número 52 e abaixo da média de 463 pontos dos países da OCDE.
Mathias Cormann, secretário-geral da organização, afirmou que o aumento do tempo em frente às telas ocorreu junto com a diminuição da leitura por prazer. Ele também relatou uma leitura mais rápida entre os estudantes, que percorrem os textos com pressa e respondem incorretamente.
Ciências e matemática
As médias em ciências e matemática também chegaram ao menor nível deste século. Em ciências, a pontuação média caiu de 506 pontos, no pico de 2009, para 486 em 2025. A China teve o melhor resultado, com 597 pontos, enquanto o Brasil ficou na posição de número 67, com 409 pontos, abaixo da média de 484 da OCDE.
Em matemática, a média caiu de 502 para 469 pontos no mesmo período. A China novamente liderou, com 612 pontos. O Brasil ocupou a posição de número 71, com 377 pontos, ante uma média de 465 pontos entre os países da OCDE.
Relatório da organização indica que os estudantes passam, em média, até quatro horas por dia em dispositivos digitais para lazer. Para estudar, o tempo médio é de três horas diárias, na sala de aula ou em casa.
Quase metade dos alunos disse usar regularmente chatbots de inteligência artificial para aprender. Os estudantes que recorrem a essas ferramentas para escrever redações, resumir textos e pesquisar temas, porém, geralmente obtêm notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências.
Cormann disse que os dispositivos digitais podem contribuir para a aprendizagem até certo limite. De acordo com ele, quando o uso ultrapassa cinco horas por dia, os resultados começam a cair.


