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Importação de alimentos bate recorde global e expõe riscos para países vulneráveis

Conta mundial chegou a R$ 11 trilhões em 2025, com maior pressão sobre produtos essenciais para dietas diversificadas.

Importação de alimentos bate recorde global e expõe riscos para países vulneráveis

O valor gasto na importação de alimentos no mundo alcançou cerca de R$ 11 trilhões (USD 2.2 trilhões) em 2025, alta de 7,9% sobre 2024. O resultado representa o maior nível já registrado e supera o recorde do ano anterior, de acordo com dados da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) no relatório Food Outlook – biannual report on global food markets.

A elevação não foi uniforme entre os produtos. As despesas com cereais, açúcar e oleaginosas diminuíram, enquanto café, cacau, alimentos de origem animal, pescado, frutas e hortaliças ficaram mais caros no comércio internacional. Esses itens têm importância para a composição de dietas com proteínas, micronutrientes e vitaminas.

O grupo de café, chá, cacau, especiarias e produtos relacionados teve o maior aumento: 33,3% em 2025 na comparação com 2024. Ele respondeu por mais de um terço do crescimento total do Gasto com Importação de Alimentos (GIA) mundial. Frutas, legumes e hortaliças apareceram em seguida entre os grupos com maior alta.

Impacto desigual entre os países

As nações de alta renda concentram a maior parte do GIA mundial e lideraram o aumento da conta em 2025, principalmente por causa dos gastos com café, cacau e outros produtos de maior valor. A pressão sobre os preços, porém, também afeta assalariados, trabalhadores informais e desempregados nesses países, embora a situação não seja equivalente à vulnerabilidade alimentar enfrentada pelos países pobres.

Nos países de renda média-alta, grupo que inclui o Brasil, o GIA cresceu R$ 96,9 bilhões (USD 19 bilhões), ou 4%. Para os países de renda média-baixa, a alta foi de R$ 74,0 bilhões (USD 14,5 bilhões), equivalente a 7%. Nos países de baixa renda, o aumento chegou a R$ 8,2 bilhões (USD 1,6 bilhão), ou 6,7%.

O indicador mede o valor pago pelas importações, e não apenas o volume de alimentos comprado no exterior. Fretes, energia, seguros, câmbio e condições de oferta influenciam o desembolso necessário para adquirir produtos no mercado internacional. Assim, a conta pode subir sem que a quantidade importada aumente na mesma proporção.

Entre os países de baixa renda, a queda das despesas com cereais e açúcar não compensou o avanço dos gastos com óleos e gorduras vegetais, café, chá, cacau, frutas, hortaliças, carnes e pescado. Nos países de menor desenvolvimento relativo, o GIA subiu R$ 15,3 bilhões (USD 3 bilhões), ou 4,9%. Já nos países em desenvolvimento que são importadores líquidos de alimentos, o crescimento foi de R$ 49,0 bilhões (USD 9,6 bilhões), ou 6,5%. Na África Subsaariana, a alta chegou a R$ 24,5 bilhões (USD 4,8 bilhões), ou 7,7%.

Produção nacional e segurança alimentar

Os dados mostram que a redução do custo de alguns alimentos básicos, como os cereais, não impede o aumento das despesas com produtos necessários para garantir proteínas, micronutrientes e vitaminas. Esse movimento contribui para encarecer as dietas saudáveis, especialmente em países com limitações financeiras e cambiais.

A questão, para os autores, não é interromper o comércio internacional, considerado importante para o Brasil e para outros países. O debate envolve o nível de dependência das compras externas e a possibilidade de ampliar a produção e a produtividade nacionais para reduzir essa despesa.

No Brasil, eles defendem o fortalecimento de políticas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar, os restaurantes populares e os bancos de alimentos. Também propõem aperfeiçoar ações voltadas à produção e ao consumo de frutas, legumes, verduras e pescados, além de ampliar a diversidade da agricultura familiar.

A estrutura fundiária e a reforma agrária aparecem nesse debate porque poderiam ampliar as condições para que agricultores familiares forneçam mais alimentos ao mercado interno. A agricultura familiar está associada a mais de 500 produtos, segundo pesquisa publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), enquanto o sistema agroalimentar brasileiro apresenta concentração produtiva em um conjunto relativamente pequeno de grandes commodities, com papel preponderante do grande agronegócio.

Os autores também apontam como estratégica a pesquisa e o desenvolvimento de bioinsumos capazes de substituir fertilizantes químicos e agrotóxicos. Para Aline Mota, mestranda em Ciência Política e Relações Internacionais pela UFPB e pesquisadora do Grupo de Pesquisa sobre Fome e Relações Internacionais (FomeRI), e Thiago Lima, professor e pesquisador do FomeRI da UFPB e membro do Instituto Fome Zero, produzir alimentos diversificados e insumos agrícolas no próprio território envolve tanto a economia quanto a soberania alimentar e nacional.

O artigo relaciona a inflação mundial dos alimentos a mudanças climáticas, crises geopolíticas e ações unilaterais. Nesse cenário, os autores consideram o fortalecimento do Estado nacional necessário para garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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