SÃO PAULO — Os contratos futuros do petróleo encerraram esta quarta-feira, 16, em queda, após autoridades dos Estados Unidos se reunirem com representantes dos houthis. O grupo rebelde do Iêmen afirmou que não pretende atacar navios americanos. A baixa, porém, foi limitada por novos relatos de ofensivas contra alvos na Arábia Saudita.
O petróleo Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), caiu 2,69%, ou US$ 2,92, e fechou a US$ 105,83 o barril. Na Nymex, o WTI para outubro recuou 3,21%, equivalente a US$ 3,40, encerrando a sessão a US$ 102,43 o barril.
As autoridades norte-americanas encontraram representantes houthis em Omã no fim de semana. O contato ocorreu dias depois de a milícia apoiada pelo Irã assumir um trecho estratégico da costa do Mar Vermelho. A reunião ajudou a reduzir a pressão sobre os preços, mas não eliminou as preocupações sobre a oferta de petróleo na região.
Ataques e tentativa de retomada do fluxo
Yahya Saree, porta-voz militar houthi, afirmou que o grupo atacou uma base aérea em Khamis Mushait e instalações da Saudi Aramco. A empresa estatal trabalha em um desvio para contornar o trecho danificado de um oleoduto que cruza a Arábia Saudita e reativar parte do fluxo.
Os sauditas tentam recuperar, nos próximos dias, cerca de metade da capacidade da estrutura, interrompida na semana passada após ataques com drones. Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro saudita, viajou na terça-feira ao Cairo, no Egito, para pedir apoio contra os houthis. Também circularam informações de que Israel teria compartilhado dados de inteligência com o governo saudita por meio dos Estados Unidos.
Os contratos haviam atingido o maior nível desde maio antes de recuarem. O Citi avalia que a escalada pode sustentar o petróleo e seus derivados antes de uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz no quarto trimestre, apoiada pela diplomacia regional. O banco ressalta, porém, que a redução das tensões provavelmente não ocorrerá de forma linear.
Nos Estados Unidos, os estoques de óleo diminuíram 640 mil barris na semana encerrada em 11 de setembro. A queda foi menor que a previsão de analistas, de 1,4 milhão de barris.

