Diretores da Polícia Federal defenderam o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinar o afastamento de Rodrigues. Em manifestação divulgada na tarde desta terça-feira (8), os 11 signatários também ofereceram seus cargos ao diretor-geral substituto.
A nota afirma que as acusações contra Rodrigues e Almada não têm fundamento e não devem se sobrepor à trajetória profissional dos dois. Os dirigentes também rejeitaram a hipótese de que a PF ou seus integrantes tenham atuado de maneira não republicana.
"Repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana", declararam os diretores. Para eles, as acusações atingem a história, a credibilidade e o compromisso institucional associados à atuação dos servidores.
A manifestação ocorreu depois de a Segunda Turma do STF formar maioria para manter o afastamento de Rodrigues. O julgamento, realizado no plenário virtual, foi interrompido quando Gilmar Mendes pediu vista. Os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux haviam antecipado seus votos, e Mendes tem até 90 dias para devolver o processo à turma.
Relatórios sob investigação
Mendonça afirmou que existem indícios de participação ou conhecimento de Rodrigues e Almada na elaboração de relatórios de inteligência sobre autoridades. Conforme documento encaminhado à Justiça, seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto.
Os documentos examinaram atos e decisões de autoridades do Judiciário, da Advocacia Pública e da polícia judiciária. O ministro declarou que também foi monitorado pela PF por mais de 30 dias e considerou ilegal esse acompanhamento.
Além de afastar Rodrigues, Mendonça proibiu a produção, a preparação e o compartilhamento de novos relatórios de inteligência. Na avaliação do ministro, a permanência dos dirigentes poderia preservar o acesso a informações, sistemas, estruturas e canais institucionais capazes de antecipar medidas de investigação, influenciar testemunhas ou pessoas envolvidas no caso e dificultar a preservação de provas.



