O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (10) a abertura completa dos sigilos ligados às investigações do caso Banco Master. A declaração ocorreu durante sabatina do SBT Brasil, em meio à crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula afirmou que a divulgação integral dos dados seria necessária diante do que classificou como vazamentos seletivos. Para o presidente, a medida pode contribuir para que a Corte recupere sua credibilidade. “Não se pode brincar com as pessoas, mentir sobre as pessoas”, disse.
O presidente também sustentou que o caso deve ser examinado de forma ampla e que as informações relevantes precisam ser divulgadas, sem restrição quanto às pessoas atingidas.
Como a crise se agravou
A crise no STF começou após a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e trocadas com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. As conversas apareceram depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um processo com dados extraídos do celular de Vorcaro.
O material incluía mensagens enviadas a um contato identificado como “Alexandre de Moraes Brasília”. Mendonça encaminhou o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR) e defendeu que o plenário do Supremo analisasse o caso.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também era mencionado nas conversas, pediu a anulação do documento e questionou a condução do procedimento. Depois, veio a público que Mendonça havia se encontrado com Vorcaro em março de 2025, no Instituto Iter, entidade fundada pelo ministro. Ele confirmou o encontro e afirmou manter sua isenção na investigação.
Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Mendonça passou a questionar a atuação da Polícia Federal e afirmou ter sido monitorado ilegalmente.
Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento cautelar do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Flávio Dino suspendeu as medidas no dia seguinte. Edson Fachin, presidente do STF, depois suspendeu as decisões de Mendonça e Dino, manteve os dirigentes nos cargos e convocou uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro.



