DISTRITO FEDERAL — Marcelo Pereira Surcin, o ex-jogador Marcelinho Carioca, declarou patrimônio de R$ 45,370 milhões ao registrar sua candidatura a deputado distrital pelo Republicanos. Ele também acumula, até o momento, mais de R$ 570 mil do Fundo Eleitoral, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A maior parte dos bens informados está concentrada no Atibaia Seven Resort, empreendimento do setor de hotelaria avaliado em R$ 40 milhões. A declaração inclui ainda cinco flats de R$ 2,25 milhões, um apartamento de R$ 2,5 milhões, uma Mercedes CLA de R$ 400 mil e um Corolla Cross de R$ 220 mil.
Trajetória eleitoral
Marcelinho concorreu em todas as eleições entre 2010 e 2026. Nesse período, disputou cargos de vereador, prefeito, vice-prefeito, deputado federal, deputado estadual e, agora, deputado distrital. Nunca foi eleito.
Sua única atuação em um mandato ocorreu em janeiro de 2015. Na ocasião, assumiu a vaga de Márcio França (PSB-SP), que renunciou para tomar posse como vice-governador de São Paulo. Marcelinho havia sido suplente de França entre 2011 e 2015 e permaneceu no cargo por 29 dias.
O ex-atleta passou por 7 partidos: Partido Socialista Brasileiro (PSB), entre 2010 e 2012; Partido dos Trabalhadores (PT), em 2014; Partido Republicano Brasileiro (PRB), em 2016; Podemos (PODE), em 2018; Partido Social Liberal (PSL), em 2020; Partido Renovação Democrática (PRD), em 2024; e Republicanos, em 2026.
Futebol e campanha
Marcelinho mantém duas contas nas redes sociais. Uma é dedicada a comentários sobre futebol e à propaganda de bets, com mais de 1 milhão de seguidores. A outra, voltada à campanha no Distrito Federal, foi criada em abril deste ano e reúne 62,5 mil seguidores.
Em uma publicação, ele disse morar na região há dois anos, afirmou ter cursado jornalismo na Universidade Católica de Brasília (UCB) e mencionou sua passagem pelo Brasiliense em 2005. Também apresentou atividades do Instituto Marcelinho Carioca nas áreas de empreendedorismo, qualificação, capacitação de jovens e oportunidades de emprego.
A cientista política Deniza Gurgel, doutoranda em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB), avalia que ex-atletas e influenciadores podem ampliar a visibilidade dos partidos. “Eles podem gerar repercussão midiática que outros candidatos com uma construção histórica não conseguem alcançar”, afirmou.
Para a pesquisadora, a escolha de candidatos conhecidos também se relaciona à memória afetiva construída no esporte e à crise da representação democrática. A identificação emocional pode levar o eleitor a considerar a figura pública mais do que as propostas ou a legenda.
Gurgel afirma ainda que a fragmentação partidária dificulta a compreensão das diferenças entre esquerda, direita e centro. Ela aponta que candidatos que transitam por várias legendas podem ter dificuldade para criar vínculo duradouro entre eleitores e partidos.
Em nota, o Republicanos declarou que a candidatura considera a trajetória, a projeção pública e o potencial eleitoral de Marcelinho. A legenda informou que a distribuição dos recursos leva em conta critérios políticos, técnicos e estratégicos, além de representatividade, histórico político, alcance e capacidade de fortalecer a nominata proporcional.


